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O Inter nasceu no chão de fábrica, mas já não se reconhece

Afastado da comunidade, em atrito permanente com a imprensa e cada vez mais distante da própria história, o Internacional vive uma crise de identidade fora de campo

O Inter nasceu no chão de fábrica, mas já não se reconhece
Em 26 de novembro de 1967, na partida entre Inter e Farroupilha, era lançada a Campanha do Tijolo. Foto: Arquivo - S.C. Internacional

Sou jornalista esportivo há 41 anos e recentemente informei ao público que passaria a dedicar meu canal no YouTube ao conteúdo sobre o Internacional. Revelei ser colorado sem constrangimento. É uma nova fase da carreira e experiências novas também renovam a nossa forma de olhar o futebol.

Construí minha trajetória no jornalismo e no comentário esportivo sempre pautado pelo jogo. Primeiro os fatos do campo, depois opiniões e preferências pessoais. Fiz curso de treinador profissional, dei aulas de media training e tive a oportunidade de ter Fernandão como aluno. Uma verdadeira lenda colorada. Fiz vários cursos de aperfeiçoamento ao longo da vida, sempre para aprender mais. Nunca pensei em ser treinador, no máximo do time da firma.

Nasci em 1962, quando o Beira-Rio ainda estava em construção. A imagem daquele gigante surgindo à beira do Guaíba sempre ficou comigo. Como diz Fabrício Carpinejar, o Inter nasceu como “clube do chão de fábrica”. Um clube popular, criado para desafiar conceitos estabelecidos desde a fundação. O “clube do povo do Rio Grande do Sul”, eternizado por Nélson Silva.

Quem dirige o Internacional deveria compreender o peso dessa origem. O Inter nasceu popular, aberto, ligado à comunidade. Mas hoje vejo um clube fechado, distante e permanentemente em atrito com a imprensa. A comunicação reage ao que é dito sobre o clube, mas raramente cria pautas, debates ou aproximação com a opinião pública. O time passa semanas treinando em Porto Alegre sem entrevistas com jogadores. O único contato costuma ser o técnico depois das partidas.