Mundialização e universalidade não andam de mãos dadas; haveria, em princípio, autonomia de uma em relação a outra. A mundialização diz respeito aos tecnocratas, ao mercado, ao turismo, à informação.
A universalidade, aos valores, aos direitos humanos, às liberdades, à cultura, à democracia. A mundialização parece irreversível; o universal estaria, antes, em via de extinção. Ao menos enquanto constituído como sistema de valores na escala da modernidade ocidental, sem equivalente em nenhuma outra cultura.
Mesmo uma cultura viva e contemporânea como a japonesa não tem uma palavra para designá-lo. Nenhum termo para designar um sistema de valores que se pretende em completa harmonia com todas as culturas e com as suas diferenças, mas que, paradoxalmente, não se pensa, ele próprio, relativo e se considera, com toda ingenuidade, como a ultrapassagem ideal de todos os outros.
Não imaginamos um só instante que o universal possa não ser o pensamento particular do Ocidente, seu produto específico, original certamente, mas enfim tão pouco exportável quanto qualquer outro produto de determinada origem. Assim, são os japoneses que, por meio de estranha distorção, relativizam nosso universal, visto como um traço específico ocidental, e longe de aderir a esse conceito abstrato, integram-no à singularidade deles.