Pular para o conteúdo

PUBLICIDADE

Patriarcado e feminicídio

A cultura machista brasileira tem raízes coloniais

Patriarcado e feminicídio
Foto: João Neto / Matinal

Em 1927, Paulo Prado, integrante da elite paulista, publicou um livro que pretendia ser um retrato do Brasil. Justamente com esse nome, tinha como subtítulo Ensaio sobre a tristeza brasileira, e era um retrato do olhar de um macho branco e rico sobre a situação do país. Começava assim: “Numa terra radiosa vive um povo triste”. Depois, em 1930, veio um escritor austríaco famoso, Stefan Zweig, e retratou o Brasil como o país do futuro. Ele e a mulher, fugindo do nazismo, suicidaram-se no país do futuro, em 1942. E agora?

Cem anos depois, o povo triste se vê como alegre e o futuro ainda não chegou. Numa terra radiosa vive um povo submetido ao patriarcado, onde os feminicídios não param de crescer. Estamos em março, terceiro mês do ano de 2026, e já lemos estas manchetes: “RS foi o estado com mais feminicídios na Região Sul desde 2021, aponta pesquisa” (G1). “A cada 24h, 12 mulheres foram vítimas de violência em 2025, diz estudo” (CNN Brasil). “Feminicídio - Brasil é o 5º país em morte violentas de mulheres no mundo” (UOL). “Crimes como o estupro coletivo no Rio espelham machosfera, pornografia e omissão parental” (UOL). “'Minha missão é salvar outras mulheres', diz a delegada Amanda Souza, que teve os filhos mortos pelo próprio pai” (Globo).