Vivi a maior parte da minha vida ouvindo que o sistema de defesa contra cheias de Porto Alegre era inútil porque antes de mil anos não veríamos a repetição da catastrófica inundação de 1941. Aquela que motivou e deu início à construção dos 68 quilômetros de diques – 2,6 quilômetros como Muro da Mauá –, para proteger a cidade. Em 2024, esse sistema falhou copiosamente por descaso das autoridades em sua manutenção. As águas subiram ainda mais do que em 1941 e fizeram o discurso mudar drasticamente. O porto-alegrense, agora, naturalizou a ideia de que vai viver numa cidade que eventualmente vai ser alagada.