
Primeiro debate de TV aberta no RS
No último domingo, em horário civilizado, 20 horas, a Band realizou, conforme a tradição, o primeiro debate de televisão aberta entre os candidatos a governos de Estado. No Rio Grande do Sul, estiveram na arena eletrônica Juliana Brizola, Luciano Zucco, Gabriel Souza e Marcelo Maranata. A pergunta pós-debate é inevitável: quem ganhou? Eu diria que Juliana Brizola, da frente ampla de esquerda, levou ligeira vantagem.
Não houve, porém, goleada. Foi um debate tranquilo com a mediação do experiente Ozires Marins. Vez ou outra, candidatos deixaram passar alguma oportunidade de pontuar, como quando a Ford foi elogiada pelos empregos que cria na Bahia. Não apareceu ninguém para dizer que a Ford, depois de encher as burras de dinheiro, deixando de pagar impostos, se mandou, em 2021.
Maranata, ex-prefeito de Guaíba, tomou invertidas de Juliana Brizola e de Gabriel Souza. Veio com o discurso da experiência de gestão sem considerar a complexidade das diferentes instâncias. A candidata da esquerda colou-lhe na testa que abandonou a prefeitura para a qual foi eleito pela ambição de tentar ser logo governador do Estado e que gastou mais do que arrecadou. Até o fim ele tentou arrancar a etiqueta, sem êxito.
Gabriel Souza sempre foi bom de debate. Na Assembleia Legislativa, enfrentava muita gente e não se saía mal. Mas, de vez em quando, soa agressivo. Zucco, fiel à sua formação de caserna, quer militarizar tudo o que puder, especialmente a educação. Se ganhar, o Rio Grande do Sul passará do privatismo de Eduardo Leite ao militarismo sem opção intermediária.
Juliana mostrou segurança, capacidade de reação e firmeza nas respostas. Zucco atacou o excesso de secretarias do governo Leite. Tomou um golpe de Gabriel Souza no contrapé. O candidato do MBD ironizou o fato de Zucco confundir secretarias de governo com secretários do governador. Se Zucco for eleito e cumprir o que prometeu no debate, vai extinguir no segundo dia de governo o cargo de chefe de gabinete do governador.
Um ponto de embate mais forte foi o sistema de aprovação com dependência de quatro matérias no ensino estadual. Zucco sustentou que graças a essas aprovações, que considera inadequadas, o Rio Grande do Sul teve resultado melhor no Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Com números na ponta da língua, Gabriel Souza, vice-governador do Estado, rebateu dizendo que com 1% de alunos nessa condição não é possível produzir o efeito denunciado pelo adversário. O militar, porém, citou escolas onde noventa por cento dos alunos estariam nessa condição.
Em tom de moderação, Juliana Brizola garantiu que será uma governadora de diálogo, de muita conversa e de negociação com quem quer que seja o presidente da República. Não deixou, contudo, de se orgulhar do apoio de Lula. Em termos de assuntos nacionais chamou a atenção a ausência do sobrenome Bolsonaro na boca do bolsonarista e candidato do PL, o tenente-coronel Zucco, que, em trajes civis, prefere ser Luciano. A única desmilitarização admitida pelo candidato foi a do seu nome de guerra.