Dia desses, fiz as contas: faz 22 anos que trabalho com livros. Meu primeiro emprego foi numa livraria, aos 16 anos. Depois disso, já fui diagramadora, revisora, capista, já produzi feiras do livro de todos os portes, trabalhei em editoras com comunicação, redes sociais, divulgação e marketing. E dediquei meus últimos 11 anos à Livraria Baleia, atuando em todas as áreas: curadoria, eventos, atendimento, comercial, financeiro. No meio disso tudo, sempre entendi que no meio cultural, a rigor, a conta não fecha.
Em 2022, quando estávamos recém saindo da pandemia, resolvi começar um mestrado em Economia na UFRGS. Parece masoquismo, mas eu explico: era uma linha de pesquisa recém criada de Economia e Política da Cultura e Indústrias Criativas. Disseram pra gente que não ia ter cálculo, mas era mentira (risos).
Dos quase 30 colegas, somente um era economista e não atuava na área. Éramos todos gestores culturais em busca de ferramentas para problemas bem práticos e inquietações do dia a dia da produção. A minha questão ali era certeira: se é verdade que uma livraria de rua tem imenso impacto positivo – cultural, social e econômico – na comunidade, no bairro ou na cidade onde atua, por que até hoje não existem políticas públicas para livrarias no Brasil?