O futebol mudou. Mudou a forma de treinar, mudou a maneira de pensar. Mas parte da imprensa esportiva segue parada no tempo. O caso mais recente está nas entrevistas de Roger Machado, que viraram alvo de piada antes mesmo de virarem objeto de análise.
Após a derrota do São Paulo para o Palmeiras, o treinador explicou o gol sofrido usando conceitos táticos e termos técnicos – como “gatilho de pressão” e “inversão de corredor”. A fala, considerada correta do ponto de vista do jogo, repercutiu nas redes e na imprensa pela complexidade da linguagem, gerando críticas e também alguns elogios.
Há um padrão claro: quando o jornalista não entende o conceito, ele ataca a linguagem. Em vez de traduzir, ridiculariza. Em vez de explicar, simplifica. É mais fácil debochar dos termos do que assumir que não domina o assunto.
O problema não é novo, mas ficou mais evidente. Durante anos, a imprensa cobrou atualização dos treinadores brasileiros. Disse que estavam atrasados, desconectados do que se faz no futebol europeu. Agora que alguns técnicos incorporam esse vocabulário e esse tipo de leitura do jogo, a reação é de resistência. Ou pior, de deboche.