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Quando a imprensa não entende o que cobre

Da coletiva de Roger Machado ao deboche nas redes, quando falta entendimento, sobra ironia e falta análise

Quando a imprensa não entende o que cobre
Roger Machado. Foto: Rubens Chiri / São Paulo FC

O futebol mudou. Mudou a forma de treinar, mudou a maneira de pensar. Mas parte da imprensa esportiva segue parada no tempo. O caso mais recente está nas entrevistas de Roger Machado, que viraram alvo de piada antes mesmo de virarem objeto de análise.

Após a derrota do São Paulo para o Palmeiras, o treinador explicou o gol sofrido usando conceitos táticos e termos técnicos – como “gatilho de pressão” e “inversão de corredor”. A fala, considerada correta do ponto de vista do jogo, repercutiu nas redes e na imprensa pela complexidade da linguagem, gerando críticas e também alguns elogios.

Há um padrão claro: quando o jornalista não entende o conceito, ele ataca a linguagem. Em vez de traduzir, ridiculariza. Em vez de explicar, simplifica. É mais fácil debochar dos termos do que assumir que não domina o assunto.

O problema não é novo, mas ficou mais evidente. Durante anos, a imprensa cobrou atualização dos treinadores brasileiros. Disse que estavam atrasados, desconectados do que se faz no futebol europeu. Agora que alguns técnicos incorporam esse vocabulário e esse tipo de leitura do jogo, a reação é de resistência. Ou pior, de deboche.