Pular para o conteúdo

PUBLICIDADE

✉️ Que bicho saiu?

Newsletter do Juremir #232

✉️ Que bicho saiu?
Foto: Joédson Alves / Agência Brasil

OFERECIMENTO:

Que bicho saiu?

Ninguém esperava nem anunciou o bicho que saiu das urnas: uma vitória acachapante da direita em grande parte do Brasil. O PT hoje só tem hegemonia no Nordeste. Tomou lavada no Sul, no Sudeste e no Centro-Oeste. Ganhou num Estado no Norte. O que houve? Onde foi que a coisa derrapou?

Possivelmente nos erros da campanha e no imaginário de direita crescente no momento atual. A direita, como sempre, explorou o mote da corrupção da esquerda, mas não se importou com as suspeitas e acusações que atingem o seu campo. Como sempre diz o comentarista Otávio Guedes, da GloboNews, Flávio carrega como dúvidas o Master, as rachadinhas, o filme do pai, as relações com seu irmaozão Daniel Vorcaro, uma fantástica loja de chocolates que vendia mais no carnaval do que na Páscoa, uma mansão em Brasília em princípio acima das suas posses, proximidade com milícias e outras coisinhas assim. Não explica, não esclarece, livra-se dos processos.

O PT tem como fardos o mensalão, o petrolão e outros escândalos.

Corrupção é sempre a do outro. Talvez o fator mais importante na derrota de Lula seja a insatisfação de parte da população brasileira com a condenação dos envolvidos no 8 de janeiro de 2023. Muita gente não vê prova de tentativa de golpe e acha que o petismo, depois de sair da cadeia, vingou-se dos seus adversários condenando-os à prisão. Revanchismo é como delação: não pega bem no Brasil, país com ampla tradição de anistias.

O PT vive o seu ocaso? Se com Lula tomou essa lavada, poderá viver sem ele? O jogo ainda não está jogado. A partida da volta será em 25 de outubro. Só tem um caminho para Lula: subir ao ringue e massacrar com argumentos o rival considerado medroso, fujão e fraco. A não participação no debate da Globo, aquele que não ocorreu, fez mal ao PT: ficou parecendo que recebeu ajuda do TSE e do STF para impedir a exibição do púlpito vazio e para enfiar Renan Santos num evento para qual não estava classificado.

No Rio Grande do Sul, as lideranças conseguiram aprovar o casamento eleitoral entre PT e PDT, mas a base petista não comprou a aliança, não se apaixonou e não se entregou a uma campanha total. A candidata ao governo, por seu lado, espremida num partido com setores bolsonaristas, só abraçou Lula aos sussurros. Ficou amor sem paixão. Uma relação de conveniência. Não deu frutos.

Segundo turno é outra eleição, diz o mantra do segundo colocado. Só que ninguém virou o jogo desde a redemocratização. Poderá ser a primeira vez. Lula precisará defender seu governo, apresentar suas realizações, enfrentar o adversário, discutir, rebater acusações. Não debater pareceu arrogância. Chamar de fuga a desistência do outro e de estratégia a sua não cola. Chega a irritar. A hora é do olho no olho.

O PL agora é o dono da bola, com 121 deputados federais e 29 senadores. Sem contar os aliados. Vai dar as cartas e jogar de mão. Se Lula ganhar, terá imensas dificuldades para governar. Estranho é pensar que, provavelmente, se eleito com o voto de tantos trabalhadores, Flávio Bolsonaro extinguirá direitos trabalhistas e cometerá o crime mais defendido e sonhado pelos economistas e tecnocratas neoliberais de carteirinha: superar a correção das aposentadorias do INSS do reajuste do salário mínimo.