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Tsunami de direita

Bolsonarismo saiu vencedor do primeiro turno da eleição

Tsunami de direita
Foto: Lula Marques/Agência Brasil

Passou o primeiro turno. O jogo foi, mais uma vez, cruel e pesado. No Rio Grande do Sul a direita passou o rodo: Zucco, Sanderson e Marcel van Hattem fizeram hat-trick. No país, Lula precisou buscar voto a voto a diferença para ter chance no segundo turno. Salvou-se pelo Nordeste. O PL de Jair Bolsonaro abocanhou o Senado, a Câmara Federal e muitas assembleias estaduais.

Gabaritou.

Como se chegou a esse quadro? Nas redes sociais, como mostra a Lei de Pinóquio, a verdade tem pernas curtas e a mentira corre como um avestruz. A diferença entre direita e esquerda no mundo das tecnologias de contato não está no domínio técnico dos algoritmos, mas na liberdade para mentir ou não.

Parte da direita mente no WhatsApp sem o menor constrangimento e isso pode ter sido fatal em alguns lugares ou para certos candidatos.

Três exemplos dessas mentiras de última hora direcionadas para o eleitorado menos informado: não era para ir votar, pois estaria muito perigoso perto das seções eleitorais; bombas teriam sido colocadas perto de comitês de candidatos bolsonaristas; este domingo seria exclusivo de votação para eleitores de Flávio, ficando reservada outra data para quem fosse votar em Lula. Coisas assim.

Tais patranhas surtem efeito? Certamente. Assustam, desmobilizam e geram abstenção entre os mais suscetíveis às fake news. Para muitos, o principal fator de confusão teria sido as pesquisas de sábado dos institutos DataFolha e Quaest. De sexta para sábado, segundo essas fontes, milhões teriam virado bolsonaristas.

Institutos de pesquisa têm o álibi perfeito: nunca erram. Afinal, segundo eles mesmos, não fazem previsões. Fotografam o momento em que a pergunta é feita. Na sexta, Lula liderava em Minas Gerais e diminuía a diferença em São Paulo. No sábado, grande virada: Flávio passava à frente entre os mineiros e ganhava distância entre os paulistas. O que houve em tão pouco tempo?

Para Merval Pereira, comentarista da Rede Globo, seria uma manifestação de repúdio do eleitorado ao não comparecimento de Lula ao debate da emissora e ao fato de que a Justiça (Gilmar Mendes e Estela Aranha) teria tentado dar uma força ao petista botando Renan Santos no debate, para assustar Flávio Bolsonaro, e impedindo o púlpito vazio do presidente.

DataFolha e Quaest criaram uma onda pró-Flávio de último minuto e incentivaram o voto útil no filho do capitão? Acabaram por capturar só parte do que as urnas revelaram. Se não fazem previsão, as pesquisas podem condicionar o voto, induzindo escolhas por cálculo de racionalidade. Se o eleitor não gosta de Lula, mas não ama Flávio, tenderá a não votar nos demais se entender que com isso favorecerá quem mais rejeita. Assim, por exclusão, ficará com Flávio. O voto útil aconteceu. Os nanicos minguaram numa migração para Bolsonaro.

A direita foi bem, acumulou governadores e senadores e ainda pode crescer no segundo turno. Se antes estar no governo significava ter a força da chamada máquina, agora é muito mais um elemento de desgaste, salvo em Santa Catarina e São Paulo, onde o bolsonarismo é religião. A polarização deu as cartas e jogou de mão. O Brasil das ambiguidades já não existe mais. Somos cada vez mais uma cópia dos modismos americanos. Comemos arroz, feijão e carne vermelha todo dia, mas achamos por americanismo que precisamos suplementar com Whey.

O Whey da política é o ódio.

Agora é Lula X Flávio Bolsonaro e ninguém pode fugir dos debates.

Espera-se que o TSE e o STF fiquem quietinhos nos seus cantos e não tentem ajudar este ou aquele. Eles são adultos para decidir.

Será uma briga de cachorro grande por três pontos.

Juremir Machado da Silva

Juremir Machado da Silva

Jornalista, escritor e professor de Comunicação Social na PUCRS, publica semanalmente a Newsletter do Juremir, exclusiva para assinantes dos planos Completo e Comunidade. Contato: juremir@matinal.org

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