
Nunca gostei do inverno. O frio e o cinza agem sobre mim como um componente depressivo. Fico acabrunhado. Perco a minha energia natural.
Em Paris, quando morávamos lá, ao lado de um museu e do Le Monde, Claudia desenhou um sol na janela para que eu suportasse a visão da árvore do nosso pátio retorcida até quase tocar o chão, parecendo um cadáver vegetal. Apesar de achar bonito o fogo de uma lareira, não creio que valha enfrentar um longo e penoso inverno para curtir esse pequeno prazer. Como não bebo álcool há muitos anos, não tenho a compensação de um “vinhozinho”. Parte dos belos discursos sobre o frio não me cabe.