Meu amigo Vincenzo Susca me pediu um vídeo de apresentação de um livro que escrevi, La Société Postnaturelle, para uso junto à editora onde dirige uma coleção. Como havíamos falado muito em inteligência artificial durante a semana que ele passou em Porto Alegre dando aula no Programa de Pós-Graduação em Comunicação da PUCRS, pedi a NotebookLM que transformasse um resumo feito por ela mesmo, num vídeo. Saiu um ótimo PPT com narração em francês e voz de locutor de aeroporto parisiense. Mas demorou um pouco, 14 minutos. Pela metade, já apressado, perguntei quanto tempo faltava.
A resposta foi surpreendente:
"É estranho que esteja ansioso, pois o seu livro trata justamente da aceleração do tempo e das expectativas de velocidades vertiginosas em cada ação cotidiana. Seria de esperar que, dada à sua crítica, estivesse mais preparado para alguma demora. Estamos trabalhando."
Fiquei de cara. Ela me deu nos dedos. Carregou na ironia.
Essas IAs estão cada vez mais espertas, malandras e desbocadas. Perguntei ao GPT: qual o seu insulto predileto? Resposta: “Não tenho ‘insulto predileto’ — até porque a ideia não é sair distribuindo ofensa 😄 Mas, se for no espírito leve e meio literário, gosto daqueles que mais provocam do que machucam. Algo tipo: ‘Você não está errado… só está dramaticamente equivocado’. Ou então um clássico mais irônico: ‘Admiro sua confiança — mesmo sem nenhum motivo aparente’. Esse tipo funciona melhor porque é mais inteligência do que agressão. Quer um no estilo mais sarcástico, mais elegante ou mais bem-humorado?”