Confira todos os textos da edição #310
- Sobre as tiranias: uma possível leitura psicanalítica, por Leonardo Beni Tkacz
- Trump nem disfarça, não é mesmo?, por Euclides Bitelo
- As vaias, por Gustavo Melo
- Equipamentos culturais públicos: a gestão importa, por Álvaro Magalhães
- Bruxas, por que não?, por Clarissa Brittes
- Histórias de Autógrafos: Luis Fernando Verissimo em “Comédias da Vida Privada”, por Carlos Gerbase
- Pensa um homem jaguara, por Paulo Damin
- Diário da guerra do sono: Capítulo X – O sono, por Cristiano Fretta
- Nas pegadas de Milton Hatoum, por Juremir Machado da Silva
Em meados dos anos 1990, eu era um dos roteiristas da série Comédia da vida privada, da TV Globo, baseada em textos do Luis Fernando Verissimo, que estão reunidos no volume autografado que inspirou esta crônica. O próprio Luis Fernando, em alguns episódios, também atuou como roteirista, já que, praticamente esgotadas todas as possibilidades de adaptação, as histórias seguiam usando os personagens e os cenários, mas as tramas eram originais. Por conta disso, certa vez viajei ao lado de LFV para o Rio de Janeiro, onde aconteceria uma reunião de criação. Chegamos no final da tarde e ficamos no mesmo hotel, no Leblon. A reunião aconteceria no dia seguinte, pela manhã.
Luis Fernando tinha a fama de falar pouco, o que é verdade, mas, pela minha experiência, isso acontecia principalmente quando outras pessoas no ambiente gostavam de falar bastante. Se ele estava ao lado do amigo Moacyr Scliar, por exemplo, ficava quieto, como todos em volta do grande contador de causos. Eu, pelo contrário, não sou de falar muito, o que, naquela viagem, proporcionou ao escritor supostamente avesso a oralidades a oportunidade de me contar algumas histórias do tempo em que morava no Rio de Janeiro. Inspirado, talvez, por uma onda nostálgica, LFV acabou me convidando para jantar num restaurante de que gostava muito e que ficava perto do hotel, o mítico Antiquarius.