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Histórias de Autógrafos: Michael Ruse em Levando Darwin a sério

Parêntese #313

Histórias de Autógrafos: Michael Ruse em Levando Darwin a sério
Imagem: Acervo de Carlos Gerbase

No início de  2012, para dar início ao projeto Cinema e Ciência, fiquei encarregado de trazer para o Brasil um pesquisador de renome internacional e fazê-lo comentar um filme no Cine Santander Cultural a partir de seu campo de estudos. Na época, eu era um leitor voraz de textos sobre biologia evolucionista. Além de voraz, totalmente leigo, já que não tenho qualquer formação na área. Mas estava encantado com os relatos das pesquisas realizadas pelos seguidores de Charles Darwin, o homem que desafiou a noção de criacionismo.

A origem das espécies, texto fundador do evolucionismo, foi editado em 1859, cem anos antes do meu nascimento, o que, admito, é um dado absolutamente irrelevante para vocês, mas não para mim. O livro, apesar de seu rigor científico e da revolução que provocou na compreensão da origem da humanidade, foi um legítimo sucesso de escândalo, ou seja, vendia bem porque afrontava um dogma religioso – Deus moldou o homem do barro no sexto dia da criação do universo – , com argumentos sólidos. Ou sórdidos, aí dependia de que lado você estava (ou está…) na polêmica.

Seria lindo trazer Darwin para Porto Alegre. Infelizmente, ele morreu em 1882. Fui consultar minha estante de biologia e listei cientistas contemporâneos que eu adoraria conhecer. Constatei que Stephen Jay Gould, de longe o de estilo literário mais sofisticado, que me proporcionara muitas horas de leitura prazeirosa, falecera em 2002. Tarde demais. Havia um gigante, Edward O. Wilson, o homem das formigas, o fundador da sociobiologia, então com 83 anos. Tentei. Fiz o convite através do site da Fundação E.O. Wilson para a Biodiversidade. Recebi uma resposta bastante gentil: Wilson agradecia, mas, pela idade avançada, não poderia vir para o Brasil.