A relação entre medicina e arte é antiga e bem-sucedida. Não são poucos os grandes escritores que também exerceram a medicina. No Rio Grande do Sul, Moacyr Scliar, Dyonélio Machado, Aureliano de Figueiredo Pinto e Cyro Martins são exemplos com frequência citados. No Brasil, um nome de destaque é Guimarães Rosa, que também atuou como diplomata.

Na terça-feira, 28 de abril, no auditório da Unimed Federação/RS, aconteceu o lançamento do livro Os médicos e as artes no Rio Grande do Sul, publicado pela Academia Sul-Rio-Grandense de Medicina e organizado por Miriam da Costa Oliveira e Darcy Ribeiro Pinto Filho.

Para completar a noite, o médico e escritor Nilson May fez uma palestra sobre o “duplo ofício”: ser médico e artista (escritor, escultor, pintor, cantor, etc.).
May fez uma pergunta contundente: a pessoa quer mesmo exercer esse duplo ofício? Não se trata, destacou, de ser médico e ter uma arte como hobby. A questão é mais profunda: ter duas artes, a medicina e outra.
Fazer essa escolha significa dupla jornada de trabalho, dupla entrega, dupla angústia, uma vida cindida entre duas paixões e obrigações.
A arte não poupa: ela exige. May falou da sua própria condição, entre duas atividades. Se ele já não exerce a medicina, dedica-se profundamente à gestão cooperativa como presidente da Unimed Federação/RS. Em paralelo, escreve livros, com inclinação para o romance histórico, o que exige pesquisa, paciência, atenção a detalhes para dar verossimilhança a uma época. Um personagem de época precisa se vestir de acordo com o seu tempo. O último livro publicado por May é O leão da Calábria, história de um médico italiano na serra gaúcha. Vem livro novo por aí em breve.