Confira todos os textos da edição #310
- Sobre as tiranias: uma possível leitura psicanalítica, por Leonardo Beni Tkacz
- Trump nem disfarça, não é mesmo?, por Euclides Bitelo
- As vaias, por Gustavo Melo
- Equipamentos culturais públicos: a gestão importa, por Álvaro Magalhães
- Bruxas, por que não?, por Clarissa Brittes
- Histórias de Autógrafos: Luis Fernando Verissimo em “Comédias da Vida Privada”, por Carlos Gerbase
- Pensa um homem jaguara, por Paulo Damin
- Diário da guerra do sono: Capítulo X – O sono, por Cristiano Fretta
- Nas pegadas de Milton Hatoum, por Juremir Machado da Silva
Deitada na cama, com o celular suspenso pelas duas mãos e com o aplicativo de documentos abertos, procuro as palavras certas para performar esse texto que não é sobre bruxas. Ou é.
Uma mulher no meio do palco com um foco de luz que vem de cima descreve cada gesto seu com novelos, até que entra outra mulher em cena. As duas conversam. Uma delas, através de gestos.
Sempre penso que libras é algo bastante cênico, como alguns coreógrafos incríveis já propuseram e – no agora de hoje – tem até companhia de dança dedicada a isso. Mas aqui é teatro. Nunca havia percebido que audiodescrição também se configura nesse tom. Se essa era ou não a intenção das projeções e do texto, foi como funcionou em mim.
E esse início que me pega na beleza dos fios em diferentes tons – da terra ao sangue – que também compõem com os mesmos tons os figurinos das personagens (quando chamaram o público ao palco até pensei que a bailarina de vermelho e branco fazia parte).
Por ali permanece. Tece esse início e fica desamarrado o fio que se recolhe e se guarda.
A personagem e a projeção comentando a ação e, de repente, uma personagem cujo texto é em libras mesmo. Interessante. Como sempre, Juçara Gaspar tem um timing, um ritmo, uma força e uma atenção ao detalhe que captam. E fica desamarrado esse fio que se recolhe e se guarda.