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A Copa do Mundo dos empresários na educação

Logo após o resultado de um pregão na Bolsa de Valores para a construção e reformas em escolas públicas de São Paulo, o CEO de uma das empresas vencedoras afirmou que as PPPs da educação são "a Copa do Mundo do setor". O motivo da euforia do empresário Marcelo Castro após o leilão, realizado em 2024, era a cifra de bilhões para a construção e reformas de escolas – um modelo que se espalha pelo Brasil e que tem no Rio Grande do Sul um novo "hub" para excelentes negócios.

No final do seu segundo mandato como governador, Eduardo Leite deixa como herança ao povo gaúcho a entrega de 98 escolas da rede estadual gaúcha para que empresas façam a manutenção ao longo de 25 anos, ao custo de mais de R$ 4 bilhões, segundo dados do próprio governo. O leilão está marcado para o dia 26 de junho, na B3, em São Paulo. Enquanto o governo aposta no sucesso da concorrência, professores, estudantes e comunidades escolares protestam sob a apatia de parte das lideranças políticas, da imprensa e de quem deveria fiscalizar a destinação bilionária de recursos públicos.

O posicionamento do governador, de que a parceria privada não interfere no trabalho pedagógico das escolas, é semelhante ao daqueles que defendem a militarização da educação, afinal, tanto empresários quanto militares invadem o espaço escolar para garantir "eficiência" e "foco na aprendizagem". Inclusive, o governo gaúcho utiliza uma dissertação de mestrado defendida em 2015 em Minas Gerais, que analisou um número limitado de escolas de educação infantil, para dizer que diretores terão 25% mais tempo para atividades pedagógicas – já que todo o restante do processo educativo ficará sob responsabilidade do consórcio vencedor do leilão.