Caminhando pelas areias de Itacimirim, um paraíso a cinquenta quilômetros de Salvador, na Bahia, no meu aniversário (uma quinta-feira de fim de janeiro), pensei na passagem do tempo e na mudança de costumes. Cheguei aos 64 anos de idade com 41 anos de jornalismo nas costas e 39 anos de magistério – 30 desses na PUCRS. Nesse tempo todo nunca tinha visto o imperialismo se desnudar tanto. Com Donald Trump, segundo pensa Muniz Sodré, acabou a retórica.
A verdade do império é dita com brutalidade obscena.
No paraíso, eu matutava sobre algo que não me convence: os Estados Unidos tutelaram a Venezuela. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, um fascistoide de expressão gelada, apesar de ser de origem cubana, disse que a Venezuela precisa justificar a cada mês o acesso a parte do dinheiro do petróleo venezuelano vendido pelos Estados Unidos.
Como pode um país soberano receber mesada de outro país com o dinheiro de uma riqueza que lhe pertence? A Venezuela perdeu a maioridade, foi declarada incapaz de se autogerir, passou a ter os Estados Unidos como tutor. Qual o fundamento para essa situação?