Alupô, Bará! Passados meses de preparação, enfim falta pouco para a Portela mostrar que o Pampa é uma terra negra em sua essência. A tradicional escola de samba vai à Marquês do Sapucaí neste carnaval inspirada na história do Príncipe Custódio, no batuque e na lenda do Negrinho do Pastoreio, num enredo dedicado à cultura afro-gaúcha. Tal como o Bará, orixá das encruzilhadas, quer abrir caminho para novos imaginários sobre o Rio Grande do Sul, pois, como embalam os primeiros versos:
Enquanto houver um pastoreio a chama não se apagará
Não há demanda que o povo preto não possa enfrentar
Conhecida como Majestade do Samba, a azul e branca contará com mais de 3 mil componentes, entre 25 alas, cinco carros, três tripés (elementos alegóricos menores do que carros, que podem levar no máximo duas pessoas), 320 percussionistas e 100 passistas. As discussões sobre o samba-enredo tiveram início em maio de 2025, e o projeto foi anunciado em junho do mesmo ano. A escrita ficou a cargo de João Vitor Silveira, Marcelo David Macedo, o carnavalesco André Rodrigues e Fernanda Oliveira, historiadora e professora da UFRGS.
Nascida em Pelotas, um dos berços do batuque no sul – em razão da concentração de pessoas negras nas charqueadas –, Oliveira conta que as últimas semanas têm sido marcadas por grande expectativa quanto ao desempenho da Portela. Caso tenha sucesso, a águia estampada no símbolo da escola passará a carregar 23 estrelas, se consolidando como a maior vencedora do carnaval carioca.
“O carnaval em si está pronto, a escola está pronta, se tivesse de ser hoje, estaria entrando na avenida com os carros”, conta a pelotense. Segundo ela, o momento que antecede a grande apresentação é de imersão em todos os processos do desfile, do contato com a imprensa aos últimos ajustes nos carros e entrega das fantasias.