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O descaso com a educação pública na "capital global da inovação"

Não podemos falar em futuro da economia e da sociedade apartados da vida real das crianças e jovens submetidos a um projeto educacional que desvaloriza os saberes.

O descaso com a educação pública na "capital global da inovação"
Foto: Luan Furtado / PMPA

"Por três dias, Porto Alegre se torna a capital global da inovação". É assim que é apresentado nas redes sociais o South Summit Brasil, evento de inovação, tecnologia e empreendedorismo que chega a sua quinta edição em 2026. Enquanto milhares de pessoas circulam pelo Cais Mauá a partir desta quarta-feira (26) para acompanhar debates sobre o futuro da economia e da sociedade, incluindo a educação, atrás do muro que os separa da cidade existe uma realidade muito distante da propaganda oficial.

Um dos painéis do evento vai abordar exemplos de transformação na educação, com a participação da prefeitura de Porto Alegre. Para os interessados, vou dar uma prévia do que é a “transformação” que acontece neste momento nas escolas municipais da “capital da inovação”. Projetos de robótica reconhecidos em premiações regionais e nacionais por aliar tecnologia e conhecimento científico estão sendo praticamente extintos por conta de uma política de empobrecimento curricular.

Explico: a prioridade da prefeitura de Porto Alegre é que os alunos da rede municipal façam as atividades de contraturno do Instituto Alicerce, em uma parceria milionária que chegou a virar alvo de questionamentos do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS). Em vez de fazer os projetos de robótica, de sustentabilidade, idiomas, dança, entre outros conduzidos por professores das escolas municipais, agora a regra é que as crianças saiam da escola e se encaminhem para os espaços improvisados do Alicerce para fazer exercícios de português e matemática aplicados por profissionais contratados sem qualquer exigência de formação pedagógica.