A reforma trabalhista argentina passou na Câmara dos Deputados. Javier Milei consolida-se como um farol do atraso. Brilha como a luz de uma estrela cuja existência se apagou há muito. O mundo fala em pós-trabalho, extinção do trabalho, redução de jornadas e diminuição do número de dias trabalhados por semana. A Argentina faz o contrário: jornadas de 12 horas por dia, sem pagamento de horas extras, 48 horas por semana.
Imaginemos o dia a dia desse trabalhador: acorda às 5 horas da manhã, chacoalha no transporte coletivo, começa a trabalhar às 8 horas, onde fica até 20 horas. Chega em casa quase perto da meia-noite. Como precisa dormir, deixa de conviver com a família, de viver um pouco, de se ocupar dos filhos, de repousar.
A reforma argentina causa inveja na direita brasileira e lembra os momentos finais da luta pela abolição da escravatura no Brasil. Barões do café, especialmente do Rio de Janeiro, queriam mais alguns anos ou meses de exploração da mão de obra escravizada. Alegavam que era de interesse nacional. Além disso, garantiam que, libertados, os ex-escravos se perderiam no ócio, na criminalidade e na incapacidade de cuidar dos seus destinos.