Para além da deterioração das condições das ciclovias de Porto Alegre, debatidas em audiência na Câmara Municipal na semana passada, a implantação de novas vias para bicicletas na capital também perdeu tração. Ao longo de 2025, pouco mais de dois quilômetros foram adicionados à malha cicloviária, de acordo com dados da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). O escasso avanço, além de ser um dos menores índices anuais já registrados, é uma retração na comparação com o ano anterior, quando quase oito quilômetros novos haviam sido inaugurados.
O Plano Diretor Cicloviário Integrado (PDCI) da capital está em vigor desde 2009, quando foi aprovado pela Câmara e sancionado pela prefeitura. O documento previa 495 quilômetros de ciclovias até 2022. Mas 17 anos depois, existem 95,26 quilômetros de faixas para bicicletas na cidade, que representa 18,8% da meta projetada. Caso a expansão das ciclovias mantenha o mesmo ritmo, a estimativa é concluir a meta planejada para 2022 quase um século depois, em 2108.
Para especialistas, o plano não está apenas enfraquecido, mas defasado. Enquanto a bicicleta é tida como exemplo de sustentabilidade e integração à cidade mundo afora, a situação das ciclovias em Porto Alegre escancara uma secundarização do modal: “A trajetória da política cicloviária em Porto Alegre mostra claramente um esvaziamento institucional que, na prática, relega a bicicleta a uma posição marginal”, avaliou o professor do Programa de Pós-Graduação em Planejamento Urbano e Regional da UFRGS, Júlio Celso Vargas.
Desde o início de maio, a Matinal questionou insistentemente a EPTC e a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (SMMU) sobre o assunto, além de perguntar sobre a estimativa de construção de novas ciclovias para este ano e a possível revisão nos objetivos do PDCI, porém não houve retorno. Os levantamentos utilizados nesta reportagem foram obtidos pelo portal da transparência da prefeitura.