O Rio Grande do Sul tinha 1.283 crianças de 10 a 14 anos vivendo em união conjugal em 2022, de acordo com dados da pesquisa nupcialidade e família, a partir de dados do Censo apresentados no fim do ano passado. Em Porto Alegre, o levantamento indica que, em 2022, havia 169 crianças de 10 a 14 anos nesta condição. Os números podem ajudar a compreender populações possivelmente suscetíveis a riscos de violência doméstica.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informa que não há como precisar a idade correta de cada caso por falta de microdados. É provável, segundo o instituto explicou à Matinal, que a maioria estivesse próxima dos 14 anos à época do Censo. O levantamento foi feito a partir de respostas aferidas. Ou seja, a partir da informação que um entrevistado da residência passava ao recenseador. O resultado da investigação também não aponta a localização geográfica dos casos encontrados.
À Matinal, a defensora pública dirigente do Núcleo de Defesa da Criança e do Adolescente (Nudeca), Paula Simões Dutra de Oliveira, comentou que o número reflete as condições de desigualdade de gênero e vulnerabilidade social. “Essa é uma questão multifatorial, que traz também uma questão de desigualdade de gênero. Acredito também que tem toda uma questão de vulnerabilidade presente. Em um contexto de população mais periférica, mais vulnerável, a ausência de políticas públicas e do Estado em muitos serviços essenciais repercutem neste número”, ressaltou.