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Leiam "A mulher de dois esqueletos"

Parêntese #304

Leiam "A mulher de dois esqueletos"
Imagem: Reprodução / Editora Dublinense

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A mulher de dois esqueletos se aproxima dos quarenta anos e se depara com um dilema aterrador: haverá espaço numa só vida para se dedicar de verdade à criação de um filho e à criação artística? Essa sinopse está na contracapa do romance A mulher de dois esqueletos (editora Dublinense), da escritora Julia Dantas. A obra foi semifinalista do prêmio Oceanos, finalista do prêmio AGES e Livro do Ano do prêmio Minuano, da secretaria de cultura do estado.

Não tenho filhos, nunca criei uma criança e venho há anos tentando me dedicar à criação artística. Não sei se me dediquei de verdade e não sei fazer uma imagem do que seja “de verdade”, o que é angustiante. “De verdade” talvez signifique ser menos autoindulgente, procrastinador, desorganizado ou qualquer motivo que se volte exclusivamente para mim, ou contra mim. Existe a fantasia de que minha vida seria diferente se eu tivesse características diferentes, produto de outro contexto, o que é bastante óbvio e contraditório, pois implicaria não ser eu. No entanto, a fantasia está lá; a vida teria sido mais fácil se meu pai fosse um escritor, se as amigas da minha mãe fossem escritoras, se eu desfrutasse de tempo e dinheiro suficientes para ler, criar, fruir pelo mundo e por aí vai. Talvez nada disso resolvesse o problema que é escrever ou se dedicar de verdade à criação.