Confira todos os textos da edição #307
- Serranos na várzea – Parte 5, por Geraldo Hasse
- Enchente e apagão no Rio Grande: crises bem diferentes entre si, por Álvaro Magalhães
- Lutz e o Pampa, por Lilly Lutzenberg
- Carta para Juliana, por trabalhadoras da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
- O pinochetismo volta para La Moneda, por Alexis Cortés
- José Amaro: dândi, flâneur e tenor pelotense, por Jandiro Koch
- O bug, as formigas e a merdificação da internet, por Beatriz Marocco
- Porto Alegre, 1900: a criação da Faculdade Livre de Direito e a presença de magistrados nordestinos como professores, por Arnoldo Doberstein
- Cicatrizes da rua, por Luís Augusto Fischer
- Rimbaud retraduzido, por Juremir Machado da Silva
- Mulher a caminho, por Helena Terra
- Diário da guerra do sono: Capítulo VII – Homem de palavra, por Cristiano
17 de dezembro é o Dia Nacional do Bioma Pampa, data escolhida em homenagem ao nascimento de José Lutzenberger. Merecidos respeitos prestados a um gaúcho que amou e defendeu a natureza como poucos, além de nutrir profundo zelo pelo maior bioma de nosso Estado. Este ano, ele completaria 99 anos.
Para quem não o conhece, Lutzenberger, o Lutz, como era carinhosamente chamado pelos amigos, nasceu em Porto Alegre, filho do arquiteto e aquarelista alemão José Lutzenberger, e neto, por parte de mãe, do imigrante alemão Jakob Kroeff. Seu avô desembarcou aqui em 1854, ainda criança, vindo a se tornar fazendeiro e pecuarista em nossas terras do sul, naturalmente propícias para a criação de gado. Ao contrário do que ocorre no norte do Brasil, as pradarias pampeanas são antigas. Elas se formaram durante a última era do gelo, no Pleistoceno, que terminou cerca de doze mil anos atrás, e eram habitadas por grandes herbívoros pré-históricos. Aqui, não houve destruição brutal da floresta, nem extermínio da fauna e flora para dar lugar ao gado. Aqui, o pasto é nativo, típico de nosso bioma. Por isso, nossos antepassados o elegeram como uma região apta para a produção de carne, desenvolvendo um manejo de animais altamente sustentável e são.
“Em sua forma atual, o Pampa é uma das raras paisagens preciosas do Planeta em que a exploração humana se encontra em relativa harmonia com o ecossistema. Ao contrário dos demais esquemas de exploração da Natureza que predominam em nosso Estado, a fazenda de pecuária extensiva é um esquema de exploração da Natureza que concorda com as exigências da Conferencia Rio ‘92, ela é permanentemente sustentável.” ensina Lutzenberger em um artigo sobre o bioma, escrito para a FARSUL (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) em 1997.