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Lutz e o Pampa

Parêntese #307

Lutz e o Pampa
Foto: Ronai Rocha / Flickr

Confira todos os textos da edição #307

17 de dezembro é o Dia Nacional do Bioma Pampa, data escolhida em homenagem ao nascimento de José Lutzenberger. Merecidos respeitos prestados a um gaúcho que amou e defendeu a natureza como poucos, além de nutrir profundo zelo pelo maior bioma de nosso Estado. Este ano, ele completaria 99 anos.

Para quem não o conhece, Lutzenberger, o Lutz, como era carinhosamente chamado pelos amigos, nasceu em Porto Alegre, filho do arquiteto e aquarelista alemão José Lutzenberger, e neto, por parte de mãe, do imigrante alemão Jakob Kroeff. Seu avô desembarcou aqui em 1854, ainda criança, vindo a se tornar fazendeiro e pecuarista em nossas terras do sul, naturalmente propícias para a criação de gado. Ao contrário do que ocorre no norte do Brasil, as pradarias pampeanas são antigas. Elas se formaram durante a última era do gelo, no Pleistoceno, que terminou cerca de doze mil anos atrás, e eram habitadas por grandes herbívoros pré-históricos. Aqui, não houve destruição brutal da floresta, nem extermínio da fauna e flora para dar lugar ao gado. Aqui, o pasto é nativo, típico de nosso bioma. Por isso, nossos antepassados o elegeram como uma região apta para a produção de carne, desenvolvendo um manejo de animais altamente sustentável e são.

“Em sua forma atual, o Pampa é uma das raras paisagens preciosas do Planeta em que a exploração humana se encontra em relativa harmonia com o ecossistema. Ao contrário dos demais esquemas de exploração da Natureza que predominam em nosso Estado, a fazenda de pecuária extensiva é um esquema de exploração da Natureza que concorda com as exigências da Conferencia Rio ‘92, ela é permanentemente sustentável.” ensina Lutzenberger em um artigo sobre o bioma, escrito para a FARSUL (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul) em 1997.