Confira todos os textos da edição #307
- Serranos na várzea – Parte 5, por Geraldo Hasse
- Enchente e apagão no Rio Grande: crises bem diferentes entre si, por Álvaro Magalhães
- Lutz e o Pampa, por Lilly Lutzenberg
- Carta para Juliana, por trabalhadoras da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
- O pinochetismo volta para La Moneda, por Alexis Cortés
- José Amaro: dândi, flâneur e tenor pelotense, por Jandiro Koch
- O bug, as formigas e a merdificação da internet, por Beatriz Marocco
- Porto Alegre, 1900: a criação da Faculdade Livre de Direito e a presença de magistrados nordestinos como professores, por Arnoldo Doberstein
- Cicatrizes da rua, por Luís Augusto Fischer
- Rimbaud retraduzido, por Juremir Machado da Silva
- Mulher a caminho, por Helena Terra
- Diário da guerra do sono: Capítulo VII – Homem de palavra, por Cristiano
Uma das figuras mais envoltas por histórias, entre os pelotenses, é a cantora de ópera Zola Amaro, nome artístico de Risoleta de la Maza Simões Lopes (1891-1944), neta do Visconde da Graça. A soprano teria sido a primeira cantora lírica brasileira celebrada internacionalmente, embora tenha sido alvo de preconceito ao escolher a vida artística, coisa que era atribuída às mulheres da vida. Ela se casou muito jovem, ainda na adolescência, com Antônio Manoel Amaro Silveira (1875-1940). O casal teve três filhos: Evaristo (1907-1949), Maria (1913-1950) e José.
No caso da cantora, a biografia Zola Amaro: uma soprano brasileira para o mundo, escrita por Maria José Talavera Campos e por Nicola Caringi Lima, deu conta de esclarecer muita coisa. No caso de um de seus filhos, que também conseguiu renome como cantor lírico, como tenor, há muito a dizer ainda. Sua trajetória foi, até o momento, diminuída ao mundo das fofocas. Aqui farei um pot-pourri, porque, cuidados devidos tomados, o diz-que-diz acaba preservando aspectos que a história tradicional não encampa.
José Francisco Amaro da Silveira (1912-1983) teve o privilégio de ter aulas de canto com a mãe e, como descrito no jornal O Momento, de Caxias do Sul, também foi aluno de Gabriela Bezansoni Lage (1888-1962). Ela era uma cantora lírica italiana, que contraiu matrimônio com o rico empresário Henrique Lage, hoje lembrada mais pela prova de amor que recebeu do marido, a construção do palacete do Parque Lage, que se transformou em ponto turístico carioca. Nesse período, a família Amaro já vivia no Rio de Janeiro, onde passaram a maior parte do tempo.

Nos anos 1930, o jovem tenor circulou pelas rádios, que eram o spotify da época. Sua voz ecoou pela Nacional, Mayrink Veiga e Guanabara. Era figura cativa na estação PRH-8, fundada em 1935, com o nome de Rádio Ipanema. Por ocasião de uma participação na rádio Cajuti, no mesmo ano, ao interpretar Ideale, de Francesco Paolo Tosti, e Princesita, de José Padilla, foi descrito como “uma das melhores vozes novas”. Mas os elogios não garantiram que saísse ileso no universo das críticas.