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Histórias de Autógrafos: Ruy Carlos Ostermann em “A paixão do futebol"

Parêntese #311

Histórias de Autógrafos: Ruy Carlos Ostermann em “A paixão do futebol"
Imagem: Acervo de Carlos Gerbase

Três semanas atrás, afirmei aqui que meu primeiro livro autografado por um autor foi Quarup, de Antonio Callado. Mas fiz uma ressalva: “Não garanto: de repente pode pular da estante um espécime igualmente vetusto pra me desmentir.” Pois bem: ele pulou e tenho que me desmentir. Dando uma olhada em minha seção dedicada ao futebol, encontrei esta seleção de crônicas escritas em 1970 e 1971 por Ruy Carlos Ostermann. O livro A paixão do futebol: o amador às escondidas foi publicado pela editora Movimento e lançado na Feira do Livro de Porto Alegre de 1976. O texto da orelha é de Luís Fernando Veríssimo e a apresentação, de Paulo Hecker Filho

Aproveitei para reler algumas crônicas e confirmei o que todos sabem: o futebol era apenas um bom motivo para Ostermann falar sobre o mundo, com um grau de sensibilidade e erudição bastante raros no jornalismo esportivo. Claro, alguns leitores da Parêntese logo lembrarão de Nelson Rodrigues, Armando Nogueira e Eduardo Galeano. Pois bem, acho que podemos, sem pestanejar, colocar o Ruy neste mesmo panteão. Querem uma prova? Basta ler a última crônica, Itinerário sentimental das férias, em que o autor lista as iguarias nada futebolísticas que pretende  apreciar nos finais de tarde em Torres e Cassino: mexilhões, casquinhas de siri, camarões e lula (com brócolis e arroz). Nas frases elegantes de Ruy, lidas tantos anos depois, os frutos do mar transformam-se em nostálgicos testemunhos de uma carreira que ultrapassou as quatro linhas que limitam a movimentação da bola para alcançar os vastos céus da filosofia e da literatura.