Confira todos os textos da edição #311
- Se quiser entender a história do povo negro, é preciso atentar para as manifestações culturais negras, por Raphaela Donaduce Flores
- Djalma do Alegrete: “O último abacaxi que lancei na sociedade de consumo internacional” – Parte I, por Jandiro Koch
- Personagens de uma vida: Luís Gomes, Juremir Machado da Silva
- Histórias de Autógrafos: Ruy Carlos Ostermann em “A paixão do futebol", por Carlos Gerbase
- O povo de religião em filme: uma entrevista com Carlos Caramez, por Luís Augusto Fischer
- Medir em palavras as coisas humanas, por Helena Terra
- Da roça ao Planalto, por Nubia Silveira
- 1902: Uma litografia a cores no relatório dos comerciários, por Arnoldo Doberstein
- A medida das coisas humanas: capítulo I, por Helena Terra
Três semanas atrás, afirmei aqui que meu primeiro livro autografado por um autor foi Quarup, de Antonio Callado. Mas fiz uma ressalva: “Não garanto: de repente pode pular da estante um espécime igualmente vetusto pra me desmentir.” Pois bem: ele pulou e tenho que me desmentir. Dando uma olhada em minha seção dedicada ao futebol, encontrei esta seleção de crônicas escritas em 1970 e 1971 por Ruy Carlos Ostermann. O livro A paixão do futebol: o amador às escondidas foi publicado pela editora Movimento e lançado na Feira do Livro de Porto Alegre de 1976. O texto da orelha é de Luís Fernando Veríssimo e a apresentação, de Paulo Hecker Filho
Aproveitei para reler algumas crônicas e confirmei o que todos sabem: o futebol era apenas um bom motivo para Ostermann falar sobre o mundo, com um grau de sensibilidade e erudição bastante raros no jornalismo esportivo. Claro, alguns leitores da Parêntese logo lembrarão de Nelson Rodrigues, Armando Nogueira e Eduardo Galeano. Pois bem, acho que podemos, sem pestanejar, colocar o Ruy neste mesmo panteão. Querem uma prova? Basta ler a última crônica, Itinerário sentimental das férias, em que o autor lista as iguarias nada futebolísticas que pretende apreciar nos finais de tarde em Torres e Cassino: mexilhões, casquinhas de siri, camarões e lula (com brócolis e arroz). Nas frases elegantes de Ruy, lidas tantos anos depois, os frutos do mar transformam-se em nostálgicos testemunhos de uma carreira que ultrapassou as quatro linhas que limitam a movimentação da bola para alcançar os vastos céus da filosofia e da literatura.