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Todas as artes juntas, e mais uma

Parêntese #32

Todas as artes juntas, e mais uma
Imagem: Alfredo Fedrizzi

Confira todos os textos da edição #321

Lisboa, Cinema São Jorge. Vai começar a MONSTRA, um dos maiores festivais de cinema de animação da Europa. Como faz há 25 anos, durante dez dias o evento exibe quase 500 filmes de mais de 100 países, além de promover competições, atividades educativas e exposições. Na tela de um dos mais tradicionais cinemas da capital portuguesa, uma orquestra de jovens músicos prepara-se para apresentar ao vivo a trilha de Pedro e o Lobo, curta vencedor do Oscar em 2008. Emocionante assistir a obra de Prokofiev ao vivo.

A partir daquele momento, os espaços culturais iniciaram as 120 sessões que encantaram quase 60 mil espectadores. Em paralelo, acontecia a Monstrinha, voltada para o público infantil. Assisti a muitos desses filmes, com linguagens surpreendentes, alguns até criados por inteligência artificial. O tema deste ano foi “Natureza e Sustentabilidade", e o país homenageado, a Estônia — um polo europeu de animação. Vale lembrar que o primeiro país homenageado da história do festival, há 25 anos, foi o Brasil.

Na tarde de domingo, já com o cinema vazio, conversei com Fernando Galrito, o criador e diretor do Festival. Renomado diretor, produtor e educador português, sua trajetória se confunde com a própria história da animação em seu país. Galrito cresceu imerso no cinema experimental e destaca-se pelo uso da animação como ferramenta de transformação social, resistência e diálogo entre as artes.

Para ele, o cinema de animação não é apenas um gênero, mas uma arte transdisciplinar e sem fronteiras. Um ponto de encontro onde se cruzam música, arquitetura, design, dança e artes plásticas. A única barreira é a imaginação. "A animação é o que acontece entre os fotogramas, onde o movimento é criado na mente do espectador", define.

Nesta entrevista, Galrito compartilha suas origens, a criação da MONSTRA, sua visão sobre o papel da arte em tempos sombrios e seus projetos futuros.