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A força é o direito das bestas

Parêntese #309

A força é o direito das bestas
Foto: Molly Riley / Casa Branca

“A força é o direito das bestas” é uma frase atribuída a Marco Túlio Cícero, que aparece em sua obra De Officiis (Sobre os Deveres), na qual escreve: “Existem duas formas de combater: uma, por meio do debate; a outra, por meio da força. A primeira é própria do homem; a segunda, das bestas”.

No entanto, a frase se tornaria mais conhecida do grande público graças a um livro escrito por ninguém menos que Juan Domingo Perón. O livro, com o título exato A Força é o Direito das Bestas, foi publicado durante seu exílio na Espanha, em 1958, alguns anos após o golpe de Estado que pôs fim ao seu governo  – um golpe chamado, paradoxalmente, de “Revolución Libertadora”. Sim, a “liberdade” já justificava prisões e fuzilamentos naquela época. E não apenas naquela época, mas ao longo de toda a história. “Liberdade, quantos crimes são cometidos em teu nome!” é outra frase famosa, desta vez de Madame Manon Roland, pronunciada aos pés do cadafalso minutos antes de ser guilhotinada. Não é muito saudável criar frases de impacto: Cícero também teve uma morte violenta e Perón, embora tenha morrido já idoso, passou por maus bocados em 1955.

Para explicar o contexto histórico do livro, digamos que os setores “conservadores” e o poder econômico não toleraram a reeleição de Perón em 1952 e decidiram encerrar seu governo antes do que determinava a Constituição. Formou-se uma frente cívico-militar, com apoio explícito da Igreja Católica no país e de potências externas como a Inglaterra e os Estados Unidos da América, decidida a acabar para sempre com o governo peronista.