Poucas mulheres ocupam o centro da cena intelectual de sua época, neste mundo masculino e tantas vezes patriarcal que conhecemos. Agora está mudando um pouco, claro, mas duas ou três gerações atrás era uma dureza quase insuperável ser mulher e estar na ponta dinâmica do pensamento crítico. Um desses casos é o de Beatriz Sarlo, argentina (1942-2024), falecida faz pouco. Mais que suas contemporâneas brasileiras – Ana Maria Machado e Walnice Galvão são as que me ocorrem de imediato –, Beatriz Sarlo foi professora, pesquisadora, editora de revista de importância central, enfim uma intelectual de imensa relevância. Por isso tudo, resolvi falar com a tradutora, professora de literaturas de língua espanhola, particularmente as hispano-americanas, na UFRGS, também pesquisadora e colaboradora da Parêntese – onde apresentou uma ótima panorâmica da vida de Victoria Ocampo, hoje livro publicado também pela Coragem (Victoria Ocampo – Concentrado de tensões). Duvido alguém ficar indiferente ao que está no livro e que a Karina expõe.
Luís Augusto Fischer – Beatriz Sarlo foi uma intelectual talvez sem paralelo, ao menos em sua geração, no cenário brasileiro. O que a tornou tão singular?