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Histórias de Autógrafos: Antonio Callado em "Quarup"

Parêntese #309

Histórias de Autógrafos: Antonio Callado em "Quarup"
Foto: Arquivo de Carlos Gerbase

Começo aqui uma série de dez crônicas com base em obras autografadas que evocam memórias pessoais ou reflexões sobre leituras, livros e literatura. Alguns desses autógrafos foram dedicados a mim e à Luciana Tomasi, que em várias ocasiões enfrentou a fila comigo. Alguns são bem antigos, outros bem recentes. Passei os olhos pelas lombadas nas estantes e fui lembrando que, certo dia, estive na frente do autor, ou da autora. Assim, vão misturar-se democraticamente velhos escritores consagrados com jovens em começo de carreira. Autores de fama internacional com celebridades porto-alegrenses. A maioria é de ficcionistas, mas também há cronistas, cientistas, historiadores, poetas e os que são difíceis de classificar.

Pra começar, escolhi aquele que deve ser o meu mais antigo livro autografado. Não garanto: de repente pode pular da estante um espécime igualmente vetusto pra me desmentir. Mas duvido que seja mais significativo do que este na página de rosto do meu exemplar do romance Quarup. Lê-se, na caligrafia elegante de Antonio Callado, que era outubro de 1979 e estávamos em Canela. Muitos autores acrescentam datas e locais à dedicatória. Será que eles têm consciência de que essa informação poderá ser relevante no futuro? Antonio Callado, há 50 anos, agiu assim ao autografar o exemplar que lhe estendi. Ele tinha 62 anos. Eu, com 20, mal tinha saído do quartel. Estávamos na Serra por conta da cerimônia de encerramento do Prêmio Apesul Revelação Literária, que aconteceu no Hotel Lage de Pedra.