O primeiro contato concreto do Brasil com os Fab Four se dá no começo de 1964, pouco antes do golpe civil-militar, quando são lançados aqui dois compactos: I Want to Hold Your Hand e Please Please Me.

Até o final do ano já haveria dois LPs do quarteto lançados por aqui: Beatlemania, que tinha o LP original With the Beatles quase na íntegra, mais Beatles Again – que era um compilado. A coisa é rápida, e logo os Beatles seriam assunto obrigatório onde dois ou mais jovens se encontrassem - para falar mal ou falar bem. Como já havia acontecido em todos os momentos rock anteriores que vimos aqui, a febre definitivamente se espalha é através de um filme. No caso, A Hard Day’s Night – batizado no Brasil de Os Reis do Ié-Ié-Ié.


A partir daí, mais do que em muitas capitais brasileiras, em Porto Alegre todo jovem músico de classe média passou a querer ser um beatle. As poucas exceções eram bossa-novistas tardios ou militantes da nascente MPB engajada - mas mesmo entre estes, muitos passaram a ter uma vida dupla.
Em 1965 (mais especificamente num domingo, 22 de agosto), estreia na TV Record o programa Jovem Guarda, que em dois anos suplantaria a popularidade de seu concorrente, o Fino [da Bossa], apresentado pela gaúcha Elis Regina, que virara nesse meio tempo a cantora mais popular do País.
Ali, no programa, nascia uma espécie de movimento (na verdade, uma “cena”) batizado com seu nome, Jovem Guarda. E com Roberto Carlos assumindo o posto de ídolo maior da maior parte da juventude nacional. Con-fundindo rock com o que foi batizado no Brasil de... “iê-iê-iê” (por causa de Os Reis do Iê-Iê-Iê, título que, por sua vez, vinha da canção She Loves You, Yeah, Yeah, Yeah…).
Só que em Porto Alegre já se tocava mais rock “de verdade” do que Jovem Guarda, essa versão baixos teores, de forte influência italiana a francesa. Tanto que, em 1967, ano em que a Tropicália vem embaralhar tudo de vez, mais de uma centena de bandas locais tinha nos Beatles - e não em Roberto Carlos - a base ou parte muito importante de seu repertório.
Para quem tocava “rock” ficou muito fácil trabalhar com música. Em todos os clubes, a rotina das festas jovens mudara. Os bailes, agora chamados de “reunião dançante”, não eram mais animados por orquestras ou conjuntos melódicos, mas pelas tais bandas de guitarra – que agora contavam com vocais. Numa boa festa, chegavam a revezar-se até oito bandas, e as mais disputadas tocavam seis, sete bailes num final de semana. Era um corre-corre de bandas de um lado pra outro, cada um com sua Kombi alugada, levando seu próprio equipamento de som – que tinha de ser montado em 15 minutos, com a ajuda de seu roadie (na época chamado de “bicão”).
Mais um depoimento esclarecedor de Heleno Gimenez:
Todos se encontravam entre chegadas e saídas, carregando seus amplificadores e lindas guitarras modelo STAR, onde a parte frontal era revestida de fórmica em cores diversas, fabricadas pelo Seu Adão.