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De aldeia hippie à praia chique

Um passeio de Arembepe à Praia do Forte, na Bahia

De aldeia hippie à praia chique
Aldeia hippie de Arembepe. Foto: Ana Cláudia Rodrigues

Quando eu tinha 23 anos, no distante ano de 1983, conheci a Bahia e me apaixonei por tudo o que vi. Guardei uma forte lembrança de um passeio à Arembepe, em Camaçari, perto de Salvador. Na época, Arembepe era conhecida como a praia da Janis Joplin. Assim como Búzios, no Rio de Janeiro, era a praia de Brigitte Bardot. Acontece que sempre fui fã da roqueira e da atriz francesa.

Duas lendas.

Em Arembepe, com meus cabelos compridos e minhas ideias libertárias, visitei a aldeia hippie, onde Janis teria passado algum tempo, antes de virar a celebridade que se tornou. Os jovens de hoje desconhecem Janis, a sua rebeldia, a sua voz e o seu talento.

Eu escrevo para os jovens de ontem.

Passados 43 anos, voltei a Arembepe e à aldeia hippie, por onde também passou, em algum momento, um rapaz chamado Mick Jaegger.

E um velho famoso que atendia por Jorge. Jorge Amado. O maior contador de histórias da história brasileira.

Arembepe é uma bonita praia popular. A velha aldeia hippie resiste como pode, com o rio, no qual me banhei na época, já seco. Mas um cara me tranquilizou: “Ele enche de vez em quando”.

A atmosfera, aquilo que Michel Maffesoli chama de imaginário, a aura que banha o lugar e faz pensar nas utopias dos anos 1960, continua mais ou menos a mesma: paz e amor ainda que tardiamente.

Uma serenidade. Além de um enorme símbolo anarquista no meio da aldeia – como que a lembrar a resistência de ideias “fora do lugar”.

Identificação ideológica. Foto: Ana Cláudia Rodrigues

Mas no coração de um estilo de vida.