Confira todos os textos da edição #313
Nem toda mistura é boa, por José Damico
Geração Z não gosta de carnaval?, por Juremir Machado da Silva
“Ó, abre alas, que eu quero passar”: Dyrson Cattani, por Jandiro Koch
Estória enviesada, por Beatriz Marocco
Entre casa e marido, por Fernando Seffner
Histórias de Autógrafos: Michael Ruse em Levando Darwin a sério, por Carlos Gerbase
Pedaço de uma vida íntegra, por Luís Augusto Fischer
O “avô” dos estudos do livro e da edição no Brasil, por Ana Elisa Ribeiro
A medida das coisas humanas: Capítulo III, por Helena Terra
1903: A morte de Barros Cassal, memória e esquecimentos, por Arnoldo Doberstein
É mês de Carnaval, e vou lembrar de um dos nomes mais mencionados do início da “modernização” da festividade em Porto Alegre. Ressalvados os gostos por diferentes formatos da festa e os “poréns” colados ao termo “moderno”, a criação da Escola de Samba Praiana, em 1960, foi tão bem sucedida, que foi sagrada campeã no ano seguinte, destronando a agremiação Bambas da Orgia, que vinha mantendo o título desde 1956.
A criatividade de Dyrson Cattani Foti foi um dos quesitos de excelência. Ele nasceu em no final de 1928 – não em 1929 como se encontra em muitas referências na internet. Era filho de dois sicilianos, Vicenza Cattania e Giuseppe Foti, casal que emigrou para o Brasil. As grafias dos nomes variam em documentos diversos. Também aparecem Vicenza Catarina e Vicenza Cataneo, para a mãe; e José Foti, Fortes ou Fortis, para o pai.
De uma filha do casal, Annita, sabe-se que casou, em 1926, com Ulisses Bastos Garcia e que teve ao menos dois filhos. Ela faleceu em 1931. De Dyrson, por figurar cedo em jornais e revistas, há muitas informações. Aos quatro anos, conforme a mãe, começou a desenhar bonecas. Aos cinco, ele já “observava e criticava o que suas amigas da vizinhança vestiam”. Como suas observações não eram compreendidas, ele passou a se expressar pelos desenhos, lapidando as habilidades com os lápis. Nunca frequentou escolas de arte, embora alguns de seus croquis sejam vendidos, hoje em dia, por casas especializadas. Em 1959, destacou:
“Sou um autodidata. Meu único mestre tem sido a observação. Sempre me interessei por arte, porém o que me chamou a atenção por primeiro foi a moda.”

No início da vida laboral, o olhar aguçado foi o mais relevante. Ao assistir a peças de teatro e balés, reparava na maquiagem dos atores e dançarinos, que, na maioria das vezes, considerava mal executada. Logo se arriscou nessa área, destacando que “a maquiagem é um complemento do figurino”. Seu primeiro trabalho profissional foi maquiar os integrantes da peça infantil O casamento da borboleta, escrita por Maslova Druck. Seguiram-se muitas peças, entre elas a A dança através dos tempos; Fausto, encenada pela Ospa; A bela adormecida (1957), em versão ensaiada pela escola de Tony Seitz Petzhold, para o Teatro São Pedro; Assassinatos na 10ª Avenida (1965), no Teatro São Pedro; Paris 1900 e Amazonas (1966), ambas representadas no Teatro Leopoldina.