Em tempos de incerteza, quando as fundações do mundo parecem rachar sob nossos pés, ansiamos por histórias simples. Buscamos narrativas que possam organizar o caos, que nos deem um mapa claro do bem e do mal, e que apontem um vilão para nossos medos. É uma necessidade humana profunda, quase primitiva. E é no solo fértil dessa necessidade que florescem figuras como André Ventura.
O fenômeno em Portugal não é apenas sobre um político; é sobre um país que, de repente, se vê no espelho e mal se reconhece. O sucesso avassalador do livro “Por Dentro do Chega”, de 750 páginas, escrito pelo premiado jornalista Miguel Carvalho — já em sua quinta edição em poucos meses —, não é apenas curiosidade jornalística. É um sintoma. Revela uma nação perplexa, tentando decifrar o homem que promete “refundar Portugal” sobre as cinzas de um regime que, segundo ele, gerou apenas corrupção, dependência e injustiça.