Confira todos os textos da edição #304
- COP30, Belém do Pará e as mangas, por Tatiana Kuplich
- Visita ao museu das culturas mediterrâneas em Marselha, por Juremir Machado da Silva
- Serranos na várzea – Parte 2, por Geraldo Hasse
- Erico Verissimo, um contador de histórias, por Paulo Ricardo Stefaniak
- Centenária: Maria, vó minha - Capítulo 9, por Tiago Maria
- Diário da guerra do sono: Capítulo IIII – Um apartamento, por Cristiano Fretta
- Sem medo da luz, por Duda Fochzato
- Leiam A mulher de dois esqueletos, por Marcelo Martins Silva
- Cai o pano, por Théo Amon
A mulher de dois esqueletos se aproxima dos quarenta anos e se depara com um dilema aterrador: haverá espaço numa só vida para se dedicar de verdade à criação de um filho e à criação artística? Essa sinopse está na contracapa do romance A mulher de dois esqueletos (editora Dublinense), da escritora Julia Dantas. A obra foi semifinalista do prêmio Oceanos, finalista do prêmio AGES e Livro do Ano do prêmio Minuano, da secretaria de cultura do estado.
Não tenho filhos, nunca criei uma criança e venho há anos tentando me dedicar à criação artística. Não sei se me dediquei de verdade e não sei fazer uma imagem do que seja “de verdade”, o que é angustiante. “De verdade” talvez signifique ser menos autoindulgente, procrastinador, desorganizado ou qualquer motivo que se volte exclusivamente para mim, ou contra mim. Existe a fantasia de que minha vida seria diferente se eu tivesse características diferentes, produto de outro contexto, o que é bastante óbvio e contraditório, pois implicaria não ser eu. No entanto, a fantasia está lá; a vida teria sido mais fácil se meu pai fosse um escritor, se as amigas da minha mãe fossem escritoras, se eu desfrutasse de tempo e dinheiro suficientes para ler, criar, fruir pelo mundo e por aí vai. Talvez nada disso resolvesse o problema que é escrever ou se dedicar de verdade à criação.