Confira todos os textos da edição #335
- Pepe Mujica, ciclista, por Mintxo
- Antônio Carlos Maciel: o artista dos seres anteriores à definição sexual, por Jandiro Adriano Koch
- A inteligência artificial e as tarefas humanas, por Iami Gerbase
- MPB: música parodiada brasileira – Parte II, por Breno Serafini
- As missões e os Guarani: do passado ao futuro, por Artur Barcelos
- Restos de Grenal, por Sergio Faraco
- Sussuarana – Capítulo V, por Alice Elnecave Xavier
- A vida é uma odisseia, por Abrão Slavutzky
- Cordel de Corte Raso – Capítulo 14, por Gonçalo Ferraz
- Grande sertão em mim, por Graça Craidy
- Medicina e literatura, por Gilberto Schwartsmann
Sempre sonhei com o desconhecido, a fantasia de ser marinheiro e viajar pelos mares do mundo, com uma mulher em cada porto. Fez parte da adolescência sonhadora quando imaginava como brincadeira, e aprendi os poderes da imaginação. Se imaginava com o mar, tinha o amparo na terra mesmo, algo como ter os pés no chão, ou só um pé, o outro estava no ar, na excitação do sonho. Logo, não tardei para chegar na Odisseia de Homero, pois sabia que nela começava a palavra escrita, e estava seduzido pelas palavras que se concentram na odisseia: aventura, viagem, mar, o desconhecido. A vida é uma odisseia, muitas na verdade, e, portanto, um dia me encorajei e telefonei a quem mais sabia sobre a Grécia: o professor e escritor Donaldo Schüler. Para minha sorte, ele foi simpático e gentil; logo me felicitou pelo recém-lançado livro Para início de conversa, entrevistas que fiz com Cyro Martins. Logo convidei-o para vir a instituição psicanalítica da qual eu era o diretor científico, para falar da velha Grécia. Ele então me perguntou sobre que tema seria a palestra, e perguntei se poderia ser sobre a Odisseia. Respondeu que havia uma tendência a chamarem ele para esse livro, e aí eu disse que já estava lendo e que até nosso encontro iria concluir. Ficou contente e disse que falaríamos juntos sobre essa obra que está na origem da literatura ocidental.