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Camborianga

Parêntese #314

Camborianga
Imagem: Prefeitura de Porto Alegre / Reprodução

A Prefeitura de Porto Alegre apresentou um projeto de transformação urbanística da Avenida Ipiranga e seu entorno batizado de “Regenera Dilúvio”. O nome sugere  um processo de despoluição do arroio cujo canal passa em meio à avenida. Mas não se trata exatamente disso e sim a proposta de incremento do uso intensivo do solo da área contígua ao curso d'água, que deve provocar uma verticalização extrema da região.  

O Arroio Dilúvio está poluído há décadas, é fato. Não há tratamento adequado aos efluentes líquidos aí depositados, sejam os domésticos ou das atividades de comércio e serviço de uma grande região da cidade. Grande parte deles é jogada no arroio, misturado à água da chuva recolhida. Porém, se fosse esse o problema principal a ser atacado pelo projeto, os tratamentos deveriam ser iniciados de cima para baixo, ou seja, tratar dos lançamentos das águas próximas às nascentes e ir baixando até a foz, junto ao Guaíba. O caminho proposto pelo “Regenera Dilúvio” é o contrário, dos bairros mais a oeste da Ipiranga em direção ao leste. Inicia pelas áreas com maior potencial de atração de investidores privados. Parece contraditório, não?

Utilizando-se da figura jurídica da Operação Urbana Consorciada, o projeto pretende conceder liberdade quase total aos agentes do capital imobiliário de construírem prédios sem limites de altura. O valor arrecadado pela prefeitura por meio de leilões das concessões servirá para financiar a construção de um parque linear ao longo da avenida e algumas outras melhorias, entre elas a construção de dois grandes coletores que conduziriam parte dos dejetos para a estação de tratamento localizada na zona sul da cidade. Há previsão de melhorias pontuais na estrutura viária e nas alternativas de transporte coletivo, não sendo possível garantir a absorção da carga adicional advinda da maior densidade de ocupação.