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Cláudia Fonseca na Sabatina: “Realidades nunca são simples como imaginamos”

Em conversa com o professor Luís Augusto Fischer, a antropóloga destacou a necessidade de se manter aberta às possibilidades e sutilezas humanas durante a pesquisa

Cláudia Fonseca na Sabatina: “Realidades nunca são simples como imaginamos”
Foto: João Neto / Matinal

A primeira edição do ano da Sabatina Parêntese – Conversas sobre o futuro contou com a participação da antropóloga Cláudia Fonseca. O encontro, mediado pelo professor Luís Augusto Fischer na livraria Paralelo 30 no último sábado, percorreu a biografia da pesquisadora, a fim de compreender parte de sua trajetória enquanto acadêmica e pensadora — uma carreira que resultou em uma série de estudos sobre família, infância e circulação de crianças que influenciaram o debate antropológico no Brasil. A conversa também buscou refletir sobre o próprio ofício da antropologia.

A antropóloga é autora de estudos como Fofoca, família e honra e, antes de tudo, se vê como uma contadora de histórias. Atualmente professora do departamento de Antropologia do IFCH / UFRGS, Fonseca estudou modelos alternativos de vida social, distantes dos pressupostos da modernidade. Começou a refinar seu olhar para diferentes culturas devido ao âmbito familiar – somando, segundo ela, 11 mudanças até ter 11 anos de idade. 

As andanças só diminuíram quando chegou ao Kansas, nos EUA – onde teve uma pré-adolescência ao mesmo tempo interiorana e libertadora – e descobriu nos livros uma forma extra de viajar. Foi pelo mesmo amor à Literatura que, anos mais tarde, concluiu graduação na área, não tão distante da prática etnográfica elaborada nos anos posteriores, em viagens à Oceania, África e à capital gaúcha, onde mora hoje. “Para mim, a literatura era a aventura da adolescência, e tenho pensado em como compartilha coisas em comum com a etnografia. É um desejo de imersão, em que queremos escapar da bolha que é a nossa vidinha”, explicou.

Anos mais tarde, durante uma experiência mediada por um cargo da Unesco na África Ocidental – numa região onde hoje fica Burkina Faso –, a pesquisadora se viu em sua primeira imersão etnográfica autêntica: