Confira todos os textos da edição #319
Elis Regina, 81, por Antônio Schimeneck
Cony 100 anos – A entrada no mundo, por Marina Ruivo
Um ficcionista indispensável, por Sergius Gonzaga
A imagem perdida, por Sergio Faraco
Era Lisboa e chovia, por Ivan Pinheiro Machado
Quino, a ditadura e além – dados sobre um pessimista atemporal, por Vinícius Rodrigues
Fases da vida: saudades imaginárias, por Juremir Machado da Silva
Legião Urbana: o extraordinário nada de mais, por Paulo Damin
É só Rock Gaúcho... mas foda-se!, por Arthur de Faria
A medida das coisas humanas – Capítulo IX, por Helena Terra
Carlos Heitor Cony entrou menino no seminário e saiu como um jovem de 19 anos que dominava o latim e era um leitor inveterado, mas que tinha dificuldades para lidar com as coisas práticas da vida: “Quando voltei para o mundo, era um rapaz magro e sabichão, capaz de escrever um discurso em latim saudando as borboletas das nossas matas. Mas não sabia como tomar um bonde, como pedir um café no bar. Trazia lá de dentro um gosto de fracasso e aqui fora o negócio foi ficando cada vez mais difícil”, como contou à cronista Eneida, em 1961, no Diário de Notícias.
O que ele mais passou a desejar, assim, foi se apropriar dessas coisas cotidianas e mergulhar na vida – e na carne e no diabo, como adorava dizer. Numa dessas andanças de descoberta, arrumou sua primeira fonte de renda, como pianista numa boate “inferninho” em Copacabana.
No ano seguinte, 1946, prestou vestibular para a Faculdade de Filosofia da PUC-Rio, localizada no número 240 da rua São Clemente, em Botafogo, mas acabou optando por ingressar no curso de Letras Neolatinas da Faculdade Nacional de Filosofia (que viria a ser parte da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro). No mesmo ano, porém, desistiu da graduação. Como afirmou em várias ocasiões, sentiu que o seminário tinha lhe ensinado muito mais e melhor do que o que a faculdade podia lhe oferecer.