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Diário da guerra do sono: Capítulo X – O sono

Parêntese #310

Confira todos os textos da edição #310

Tu está louco, Major. Não, não estou. Caxambu. Deixa a gente sair daqui, disse a Odete. A gente vai chamar a polícia, emendou a Maria Clara. Eu disse que não iriam chamar a polícia coisa nenhuma, eu é que estava no comando, vocês não respeitam uma Major nem que ele esteja apontando uma arma para a cabeça de vocês. As duas tremiam de medo, covardes que eram. Lentamente se levantaram. Havia lágrimas nos olhos delas, tá no sangue, não tem jeito. Seria muito fácil eu apertar o gatilho e espalhar miolos, depois apertar novamente o gatilho e espalhar miolos. O problema seria o que fazer com aqueles dois enormes corpos. Se o Paes estivesse vivo com certeza me ajudaria a me livrar do problema, mas que jeito eu poderia dar naquelas duas vagabundas? Era capaz daqueles cadáveres federem ainda mais forte do que de outra pessoa. Insisti: quem é essa pessoa aqui na foto, lá no canto da mesa? A Odete se aproximou com calma e pegou a foto. Esse homem lá no canto da mesa, com um copo de cerveja na mão, eu disse. Ela mostrou a foto para a Maria Clara. As duas se olharam durante alguns segundos. Era um vizinho nosso, disse a Odete. Vizinho da onde? Um vizinho, seu Nélson, apenas um vizinho, deixa a gente sair daqui, por favor. Eu continuei com a arma apontada para a cara das vagabundas. É mentira de vocês, acusei. Vocês estão de conluio e vocês sabem por quê. Pelo amor de Deus, Major, conluio do quê?, perguntou a Maria Clara. Vocês sabem, vocês duas se conhecem, que eu sei. As duas se entreolharam, meio assustadas. É claro que a gente se conhece, Major, nós somos primas, disse a Odete. Não são primas coisas nenhuma, vocês tinham me dito que eram amigas. Claro que não, Major, a gente sempre te disse que era prima. Eu dei um passo à frente e aproximei o cano do revólver da cara da Odete: tu está dizendo que eu tô louco, é?