Confira todos os textos da edição #310
- Sobre as tiranias: uma possível leitura psicanalítica, por Leonardo Beni Tkacz
- Trump nem disfarça, não é mesmo?, por Euclides Bitelo
- As vaias, por Gustavo Melo
- Equipamentos culturais públicos: a gestão importa, por Álvaro Magalhães
- Bruxas, por que não?, por Clarissa Brittes
- Histórias de Autógrafos: Luis Fernando Verissimo em “Comédias da Vida Privada”, por Carlos Gerbase
- Pensa um homem jaguara, por Paulo Damin
- Diário da guerra do sono: Capítulo X – O sono, por Cristiano Fretta
- Nas pegadas de Milton Hatoum, por Juremir Machado da Silva
No segundo semestre de 2025, dois casos mereceram a atenção do noticiário porto-alegrense: os anúncios de interrupção no processo de concessão à gestão privada da Usina do Gasômetro e o da suspensão da programação de 2026 do Multipalco Eva Sopher, complexo cultural complementar ao Theatro São Pedro. Em comum nesses dois casos, houve investimentos na execução de obras para recuperação ou ampliação dos espaços, mas com problemas de implementação da oferta dos serviços aos cidadãos. São casos representativos de formas bem distintas de gestão dos equipamentos públicos de cultura, com importantes consequências.
Porto Alegre tem um conjunto significativo de equipamentos culturais públicos, daqueles que caracterizam uma capital de estado para seus cidadãos e para “o mundo”. Além dos prédios, há instituições culturais como os teatros, bibliotecas, bandas ou orquestras musicais, companhias de dança, arquivos ou museus públicos. Se não estiverem lá – bem conservados, acessíveis e com uma oferta cultural de qualidade –, dão sinal para nós mesmos e para os outros de que as coisas não vão bem.
Cabe às administrações públicas mobilizarem capacidades de trabalho, tanto de coordenação e programação, quanto de contratação de serviços para a manutenção e operação qualificada destes centros culturais. Quando há necessidades de reformas ou ampliações, é de origem pública grande parte dos recursos financeiros mobilizados. Os equipamentos são públicos não somente por essas responsabilidades, mas por serem acessíveis ao conjunto da população e dos visitantes (pelo menos em tese). Outro aspecto importante é evitar o risco de captura da programação dos equipamentos por grupos ou empresas privadas que não proporcione o acesso ao conjunto dos produtores culturais.