Confira todos os textos da edição #307
- Serranos na várzea – Parte 5, por Geraldo Hasse
- Enchente e apagão no Rio Grande: crises bem diferentes entre si, por Álvaro Magalhães
- Lutz e o Pampa, por Lilly Lutzenberg
- Carta para Juliana, por trabalhadoras da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS)
- O pinochetismo volta para La Moneda, por Alexis Cortés
- José Amaro: dândi, flâneur e tenor pelotense, por Jandiro Koch
- O bug, as formigas e a merdificação da internet, por Beatriz Marocco
- Porto Alegre, 1900: a criação da Faculdade Livre de Direito e a presença de magistrados nordestinos como professores, por Arnoldo Doberstein
- Cicatrizes da rua, por Luís Augusto Fischer
- Rimbaud retraduzido, por Juremir Machado da Silva
- Mulher a caminho, por Helena Terra
- Diário da guerra do sono: Capítulo VII – Homem de palavra, por Cristiano
Os sobrevivencialistas norte-americanos haviam alertado: "Quando o relógio marcar o limiar do ano 2000, o país ficará sem eletricidade, os trens não circularão mais, os bancos entrarão em colapso e hordas de moradores da cidade procurarão comida”. Os aviões iam cair, as usinas de energia seriam interrompidas, os mísseis nucleares explodiriam em seus silos e quase nada que estivesse sujeito à informática funcionaria.
O prognóstico se baseava no erro que a sucessão de dois números, "99" "00", provocaria nos sistemas de computação na passagem de 1999 a 2000. Muitos computadores antigos armazenavam o ano com apenas dois dígitos ("99"), o que poderia fazê-los interpretar o ano 2000 como 1900.
Na véspera eu estava ocupada com as formigas que andavam à solta entre as folhagens, no terraço de um apartamento alugado em Barcelona. Imprimi as páginas da primeira versão da minha tese, espalhei rodelas de limão na trilha pontilhada que formavam e ajeitei o que precisava na mochila, bati a porta e caminhei até o ginásio público onde três ou quatro vezes por semana praticava natação.