Confira todos os textos da edição #309
Histórias de Autógrafos: Antonio Callado em "Quarup", por Carlos Gerbase
Proust-à-porter: O eu profundo e outros eus, por Claudia Laitano
Gilles Lipovetsky: “A Europa tornou-se vassala dos Estados Unidos da América”, por Juremir Machado da Silva
Projeto Gema – Dez anos: outras histórias antes das histórias, por Lucas Luz
Porto Alegre, 1900-05: O Ocaso e o início de suas arenas de touros, por Arnoldo Doberstein
Diário da guerra do sono: Capítulo IX – A evidência, por Cristiano Fretta
A mula nossa de cada dia, por Helena Terra
“Mesmo do ponto de vista das coisas mais insignificantes da vida, não somos uma unidade materialmente constituída, idêntica para todos, que pode ser compulsada pelos outros como um livro de contabilidade ou um testamento. Nossa personalidade pública é uma criação dos pensamentos alheios. Até mesmo o gesto aparentemente banal de ‘ver alguém que conhecemos’ é, em parte, um ato intelectual. Preenchemos a aparência física da pessoa que vemos com todas as ideias que temos sobre ela e, na imagem genérica que criamos, essas ideias desempenham, sem dúvida, o papel mais importante.” (Um amor de Swann)
Nascidos na Europa do final do século 19, o italiano Luigi Pirandello (1867 - 1936), o francês Marcel Proust (1871 - 1922), a inglesa Virginia Woolf (1882 - 1941) e o português Fernando Pessoa (1888 - 1935) ajudaram a inaugurar a era das identidades fraturadas na literatura do século 20. Pirandello e Proust parecem não ter lido Freud, ao contrário de Pessoa e Woolf (que inclusive encontrou pessoalmente o criador da psicanálise, em Londres, pouco antes da morte dele), mas a ideia de um “eu” que já não é senhor em sua própria casa foi desenvolvida pelos quatro como se já fosse inevitável àquela altura dos acontecimentos - pouco antes ou pouco depois da I Guerra.