Dias atrás precisei recorrer a uma antiga postagem no quase jurássico Facebook para demonstrar a amigos mais jovens uma outra realidade que tinha em Porto Alegre. A foto em questão era uma imagem minha, em que sorria segurando um chimarrão numa tarde ensolarada. Ato qualquer, certo? Sim, mas o que queria destacar mesmo era o cenário: o Cais Mauá, no Centro de Porto Alegre.
A data da imagem: outubro de 2010. Lembro daquele dia: era um sábado de plantão para mim, então jovem repórter no Correio do Povo. Eu e minha amiga Vivian Schneider tomamos um mate apreciando o Guaíba momentos antes de eu seguir ao jornal. Escolhemos o cais, assim como tantas outras pessoas faziam naquela época. Era, afinal, algo corriqueiro.
Dali a dois meses, em um de seus últimos atos no cargo, a então governadora Yeda Crusius assinou o contrato de arrendamento da área. A promessa da proposta era, já naquela época, de “revitalização”, milhares de empregos, investimentos aos milhões etc e tal. Em seguida, os portões do cais se fecharam ao público. E desde então nunca mais reabriram.