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Sem medo da luz

Parêntese #304

Sem medo da luz
Foto: Dyu - Ha / Unsplash

Confira todos os textos da edição #304

Nascemos pelados, sujos 

Com medo da luz 

Um parto para o desconhecido 

Vivemos tal qual um bovino esperançoso 

Água, pasto, baias conforme a terra 

Moscas no rabo do enfermo, 

Enterro sem direito ao tecido 

De lá pra cá, renascemos a cada anoitecer 

Miram olhos esbugalhados frente ao medo 

E o sono tranquilo do ventre materno 

Relembra a fragilidade da pele cansada 

Vamos como viemos, sem entender o derradeiro momento 

Se o amor não nos disser nada, 

Se a dor também se abster 

Foi em vão nossa morada,

Falhamos miseravelmente nisso de viver.