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✉️ Perda de vegetação no Pampa, desempenho da educação brasileira em avaliação internacional e outras notícias desta quarta-feira

Edição #1719

✉️ Perda de vegetação no Pampa, desempenho da educação brasileira em avaliação internacional e outras notícias desta quarta-feira
Foto: Fernando Gross/Embrapa Pecuária Sul

Olá! O Pampa perdeu 11,3 milhões de hectares de vegetação nativa em 40 anos, entre 1985 e 2024. No Rio Grande do Sul, a redução dos campos nativos foi maior do que nos vizinhos Uruguai e Argentina. Para pesquisadores, a destruição do bioma representa a perda de uma oportunidade de mitigar os impactos das mudanças climáticas. Você também vai ler:

📸 Com fotos e IA, Fabio Spolti reinventa a imagem do gaúcho

🎓 Brasil registra aumento da desigualdade educacional em 2025, segundo relatório do Pisa

🎙️ Rosana Pinheiro-Machado, na Sabatina Parêntese: “O Brasil tem uma cultura de servidão muito forte, de invisibilização

🧑🏽‍🏫 Ângela Chagas reflete sobre a falta de ousadia dos candidatos ao governo para enfrentar os verdadeiros problemas da educação 

⚖️ Juremir Machado da Silva fala da guerra entre ministros do STF

🌦️
Previsão do tempo: A quarta-feira será de céu nublado e pancadas de chuva fracas, que devem seguir até o final desta semana. Em Porto Alegre, as temperaturas ficam entre 12ºC e 19ºC

Pampa gaúcho encolhe: destruição do bioma no RS é maior do que no Uruguai e na Argentina

Entre 1985 e 2024, o Pampa teve uma redução de 11,3 milhões de hectares de sua biodiversidade nativa. A perda do bioma é consequência da conversão dos espaços em áreas agrícolas. Apenas no Rio Grande do Sul foram 3,9 milhões de hectares de campos naturais perdidos – contra 3,7 milhões de hectares na Argentina e 2,9 milhões de hectares no Uruguai. Os dados são do novo levantamento do MapBiomas, divulgado na última sexta (4).

No RS, a área utilizada para silvicultura, que ocupava 44 mil hectares em 1985, passou a ocupar 738 mil hectares em 2024 – um aumento de mais de 1500%. Já a área destinada a cultivos anuais e perenes, como a soja, foi de 4,8 milhões para 7,8 milhões de hectares, um crescimento de 63,2%. 

A degradação do bioma, além de colocar em risco espécies de fauna e flora nativas da região, ocorre em um contexto de eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes e intensos na região pampeana. Segundo o pesquisador do MapBiomas, Eduardo Vélez, perder a vegetação nativa é abrir mão de uma espécie de garantia para o futuro, uma vez que o ecossistema é adaptado para lidar com extremos, a exemplo da sua capacidade de regulação hídrica.

“O efeito da vegetação nativa para atenuar os efeitos danosos desses fenômenos tem sido pouco valorizado e quase não existem medições quantitativas do quanto a perda dessa vegetação impacta a intensidade das enchentes. Mas impacta e muito. Manter a vegetação nativa é um tipo de solução baseada na natureza, que não depende de obras caras de engenharia”, afirmou o pesquisador.

Ainda restam cerca de 6 milhões de hectares de campos nativos no Estado. Para Vélez, as políticas devem se concentrar não apenas em interromper as perdas, mas também em recuperar o que já foi degradado, conciliando produção e preservação. “É possível manter campo nativo e produzir sobre ele”, declara o pesquisador. Essa combinação representa um diferencial do Pampa: a atividade econômica é capaz de conviver com a biodiversidade, em vez de necessariamente substituí-la.


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O QUE MAIS VOCÊ PRECISA SABER

Com fotos e IA, Fabio Spolti transforma a imagem do gaúcho em território de invenção

Foto: Fabio Spolti

Fruto de capturas fotográficas, leituras e uso de inteligência artificial, O Livro dos Gauchos Imaginários, do artista Fabio Spolti, será lançado nesta quinta-feira (10/9), na Bancaberta, em Porto Alegre. A obra reflete sobre o processo de invenção das tradições com um olhar dedicado a reimaginar a figura do gaúcho por meio de experimentações visuais.

“Há questionamentos políticos sobre a tradição gaúcha, apresentando um gaúcho ligado ao passado, mas não cego a releituras e mudanças, tecnologias, futuros utópicos e distópicos. Tudo isso é permeado por logomania, streetwear e a propaganda incessante das big techs”, destaca o artista.

Na visão da musicista e etnomusicóloga Clarissa Ferreira, em resenha publicada na Parêntese, Spolti apresenta “o Rio Grande do Sul das beiras de estrada, dos bares, dos caminhões, das casas simples, das cadeiras de plástico quebradas, dos varais, dos açudes, dos cordeiros, das roças, das flores, das matas fechadas e dos cemitérios”.

Confira a entrevista:

Com fotos e IA, Fabio Spolti transforma a imagem do gaúcho em território de invenção
“O Livro dos Gauchos Imaginários” será lançado nesta quinta-feira (10/9), às 18h30, na Bancaberta

📖
Programe-se: o bate-papo de lançamento do livro, na quinta-feira (10/9), às 18h30, na Bancaberta (Praça Berta Starosta – Bom Fim), terá a participação de Fabio Spolti, da psicanalista Daniele Rodrigues (Estúdio Mar Edições) e do repórter da Matinal Ricardo Romanoff.

Desigualdade educacional aumentou no Brasil em 2025, segundo relatório do Pisa

O Brasil passou a registrar, em 2025, o maior abismo de desempenho educacional entre estudantes ricos e pobres da América Latina. É o que apontam os resultados da última edição do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), maior avaliação do mundo sobre educação, coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

A diferença de desempenho entre os dois grupos de renda chega a 96 pontos na matéria de Ciências – acima da média geral da OCDE e da média da Argentina, do Chile e da Colômbia. O Brasil é o único país em que a diferença cresceu significativamente na última década.

Em aprendizagem, os indicadores seguem estagnados. A maior dificuldade está na matemática: 72% dos alunos brasileiros estão abaixo do nível básico — contra 35% na média da OCDE. Como cada 20 pontos equivalem a um ano escolar, o atraso brasileiro em matemática chega a 4,6 anos. Apesar disso, o Brasil apresentou uma recuperação da aprendizagem pós-pandemia superior à média do bloco.

Outro indicador preocupante é o absenteísmo: 55% dos estudantes haviam faltado ao menos um dia de aula nas duas semanas anteriores à aplicação do Pisa. Entre os poucos resultados positivos, o Brasil se destacou na restrição ao uso de celulares: 81% dos estudantes frequentam escolas que proíbem completamente os aparelhos, acima da média de 49% da OCDE.


Rosana Pinheiro-Machado: “O Brasil tem uma cultura de servidão muito forte, de invisibilização

No último sábado, a Sabatina Parêntese recebeu a cientista social e antropóloga Rosana Pinheiro-Machado, na livraria Paralelo 30, em encontro mediado por Luís Augusto Fischer. No bate-papo, a pesquisadora comentou sobre a precarização do trabalho e a ascensão da extrema-direita, tema presente em suas incursões acadêmicas, da graduação ao doutorado, até a formulação do laboratório Digital Economy and Extreme Politics (DeepLab) — por meio do qual coordena o projeto internacional Flexible Work, Rigid Politics, na University College Dublin (UCD). 

Durante a conversa, a convidada lembrou de sua trajetória enquanto estudante, período em que aprendeu a buscar nos contextos locais as respostas para temas mais amplos. Pinheiro-Machado pesquisou, pela UFRGS, as práticas comerciais entre camelôs e sacoleiros em Porto Alegre e em Ciudad del Este, no Paraguai. O interesse que começou aqui culminou em um estudo de dez anos, que acompanhou a cadeia global de mercadorias na rota China-Paraguai-Brasil, com foco no mercado informal e na pirataria.

Ao pensar nas condições do mercado de trabalho e no contexto político de décadas recentes no Brasil, lembrou que um não poderia existir sem o outro: “Não estaríamos onde estamos se não fosse a [má] qualidade dos empregos brasileiros. Se não tivéssemos uma cultura de exploração, em que o trabalho paga mal, as pessoas têm de se deslocar por duas horas e são humilhadas. O Brasil tem uma cultura de servidão muito forte, de invisibilização.”

Assista ao encontro na íntegra

Foto: João Neto


OUTRAS NOTÍCIAS
Após ser adiada por falta de quórum, a votação dos vetos ao novo Plano Diretor de Porto Alegre e à Lei de Uso e Ocupação do Solo deve ocorrer hoje na Câmara de Vereadores. 
Com as obras paralisadas desde 2016, a Escola Municipal de Educação Infantil Clara Nunes, no bairro Lageado, no extremo-sul da Capital, terá os trabalhos retomados hoje.
Pode faltar água nas regiões atendidas pela Estação de Tratamento de Água (ETA) Menino Deus devido ao desligamento da unidade para a conclusão da obra de dupla alimentação de energia. O serviço deve ser concluído às 10h. Confira os bairros afetados.
Estão abertas as inscrições para o Premia PoA: o programa vai selecionar 20 projetos de eventos esportivos comunitários, amadores e escolares para oferecer suporte por meio de kits de premiação. 
Um levantamento da Loft, baseado em dados do ITBI, mostra que o metro quadrado mais caro entre os imóveis vendidos no primeiro semestre deste ano na capital fica no Jardim Europa, a R$ 12,5 mil. O mais barato está no Camaquã: R$ 306 por metro quadrado.
Fraude imobiliária: a Polícia Civil concluiu inquérito sobre a Imobiliária VenezaUno, que tinha sede no bairro Floresta e fechou sem aviso em junho. O prejuízo dos clientes é estimado em R$ 3,2 milhões.
O Ministro da Saúde, Alexandre Padilha, participou ontem da abertura dos trabalhos de estruturação do novo Complexo de Saúde Inteligente do Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.
A passagem do Catamarã, que liga Porto Alegre e Guaíba, subiu para R$ 19,15. 
Em Canoas, começam hoje as oficinas participativas nos bairros para a revisão do Plano Diretor da cidade.
A prefeitura de Pelotas publicou edital para selecionar a empresa que fará a elevação e a adequação do dique de contenção contra cheias na praia do Laranjal. A vencedora da licitação será anunciada em 29 de outubro.
A Agergs confirmou a multa de R$ 9,6 milhões para a CPFL RGE por falhas no fornecimento durante os temporais de janeiro de 2024 – a agência rejeitou o recurso apresentado pela concessionária.
Juremir: “O STF vive a sua maior crise, excetuadas as cassações de ministros feitas pela ditadura Vargas e pelo regime ditatorial midiático-civil-militar de 1964.”

Falta ousadia aos candidatos para enfrentar o desalento dos jovens com a educação

Acompanhei os primeiros debates entre os candidatos ao governo gaúcho e, depois de uma breve análise das propostas para a educação apresentadas nos planos de governo, fiquei com a convicção de que domina uma mesmice de propostas, descoladas da realidade que vivem os estudantes da escola pública. É claro que meu objetivo aqui não é colocar na mesma régua uma candidata que apresenta a educação como eixo central para reduzir as desigualdades sociais e outro que defende a militarização de escolas. Mas falta ousadia para enfrentar o desalento dos jovens com a educação e com o futuro profissional.

Leia a coluna completa


CONTEÚDO PARCEIRO
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ADUFRGS promove sessões de cinema e bate-papo com diretores
Entre setembro e novembro, uma programação especial de cinema reúne três filmes documentários produzidos a partir de pesquisas e estudos no Auditório da ADUFRGS-Sindical. Após cada exibição, o público poderá participar de um bate-papo com os diretores das obras, seguido de coffee break. A programação é aberta ao público e tem entrada franca. O primeiro filme, Cordão Verde, será exibido no dia 18/9, às 17h.

Confira a programação completa

CULTURA

Ted Lasso voltou

Foto: Apple TV+

Ted Lasso é um caso sério de apaixonamento coletivo, de dar 98% de Rotten Tomatoes na primeira temporada, por exemplo. A coisa surgiu na pandemia, e o bom humor insuportável do Ted era o que as pessoas precisavam. Passou a pandemia, a carência segue. Leia o comentário de Marcelo Carneiro da Cunha sobre a nova temporada da série.


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