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✉️ Quem ganhou o debate da Band?

Newsletter do Juremir # 234

✉️ Quem ganhou o debate da Band?
Foto: Reprodução/Band

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Quem ganhou o debate da Band?

Jornalistas são hipócritas sobre debates eleitorais. Querem que o circo pegue fogo, mas reclamam quando não tem discussão de propostas. O debate da Band foi um lixo. O apresentador Eduardo Oinegue fez perguntas bolsonaristas.

Só lhe faltava um adesivo da candidatura de Flávio Bolsonaro. Afinal, quem ganhou o confronto, o pugilato do domingo à noite?

Lula quase foi a nocaute na parte inicial do primeiro round. Não esperava um adversário tão agressivo e disposto a matar. Flávio foi para cima, brandiu o nome da lobista Roberta Luchsinger na cara de Lula e trouxe Lulinha para o ringue. Lula acusou o golpe, escorou-se nas cordas, bebeu água sem parar e custou a reagir.

Só se equilibrou ao sacar Daniel Vorcaro do seu arsenal e exigir uma explicação para os R$ 130 milhões doados pelo banqueiro agora presidiário para um suposto filme sobre Jair Bolsonaro.

Como de costume, Flávio não respondeu. Ele mostrou ao longo do debate que não é tão burro quanto a esquerda dizia. Esbanjou cinismo, deboche e cara de pau. Mentiu, distorceu e enrolou com a desenvoltura de sempre.

Lula esteve mal posicionado no campo de luta. Avançava para perto das câmeras e deixava as costas para o oponente. Parecia um lateral que sobe muito e deixa as costas sem proteção para o adversário. Flávio ocupava o espaço, fazia caretas e zombava das falas de Lula, que se irritou em certo momento. Lula chegou a se desestabilizar no primeiro bloco. Flávio, não.

O treinamento de Flávio funcionou melhor. Talvez Lula não tenha ouvido os seus assessores. A ideia de que o velho guerreiro reduziria o moleque prepotente a pó não vingou. O malandro, que Lula não deveria ter adjetivado como “carioca”, não desmaiou nem apresentou ideias. Patifou.

Os melhores momentos de Lula foram quando reagiu a uma provocação de Flávio sobre ter ganhado nos presídios soltando um “seu pai votou em mim” e quando desafiou Bolsonaro para uma abertura geral de sigilos telefônicos e bancários deles e de suas famílias. Flávio refugou. Saiu dizendo que era bravata do petista, que não teria telefone. Lula mostrou certo cansaço.

Poderia ter perguntado em dois minutos se houve ou não rachadinha no mandato de deputado de Flávio no Rio de Janeiro, por que a loja de chocolate vendia mais no carnaval do que na Páscoa e como se compra uma mansão com salário de senador? Certo, Lula explorou o tema da mansão, bateu forte sobre Vorcaro, socou falando das contradições do outro, empurrou Flávio para trás no caso da morte da menina de cinco anos e acuou o inimigo, pois era disso que se tratava, no tratamento do governo de Jair Bolsonaro ao tema da pandemia, com mais de 700 mil mortes no Brasil, e das vacinas.

Flávio dobrou as pernas e admitiu que houve falha nessa área.

Flávio falava para lacrar e produzir cortes destinados às redes sociais. Como Lula não se posicionava mais atrás no cenário – falha da assessoria –, estragou cortes do petista, ficando de papagaio ao fundo.

Ao perguntar se Lula conhecia Lulinha e ouvir um “quem?”, quase derrubou o líder petista, que depois se enrolou em números, estatísticas e frases com palavras engolidas pela voz fatigada. Ao apontar às câmeras para as quais Lula deveria falar, Flávio resvalou no etarismo. Francamente falando, o efeito Biden rondou Lula. O confronto entre um senhor de 80 anos e um homem de 45 teve o seu peso.

A voz de Lula já não ajuda.

Se um dia ele foi um debatedor imbatível, na Band esteve lento, acertando aqui e ali um jab, como quando disse que não queria ficar perto de miliciano.

Leonel Brizola teria colado um apelido no contendor ao longo do enfrentamento, talvez, como se diz nas ruas e redes como provocação tática, rachadinha, nepobaby, filhinho de papai, gigolô de sobrenome ou irmaozão do Vorcaro. Lula usou pouco a ironia e talvez nem tenha lembrado disso.

O atual presidente atrapalhou-se com as regras de uso do tempo. E, afinal, quem ganhou? Cravo um empate. Se Lula foi muito mal nos primeiros 15 minutos, reagiu e bateu forte na sequência. Se Flávio não se irritou nem perdeu a compostura, ficou marcado pela falta de respostas e pelo vazio.

Esperava-se muito conteúdo desse debate tantas vezes adiado. Não teve. Prevaleceu a conversa de bar. Muita ofensa, pouca substância real.