O edifício de 26 andares que carrega uma bandeira vermelha do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) na avenida Mauá, centro de Porto Alegre, está próximo de se converter em moradia para cerca de 800 pessoas. Esse é o destino do prédio onde funcionou o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), próximo ao Mercado Público.
A estrutura foi considerada apta a receber propostas de reconversão em habitação social por meio do programa Minha Casa, Minha Vida - Entidades (MCMV-E) no último mês. Nesta segunda (15), o Ministério das Cidades aprovou o projeto que o tornará o Condomínio Residencial Maria da Conceição Tavares. É o terceiro edifício em Porto Alegre a ser destinado à moradia popular pelo programa. O prédio foi ocupado depois das enchentes, em junho de 2024.
A Caixa Econômica Federal deve liberar os recursos e acompanhar a execução. O custo estimado é de cerca de R$ 50 milhões. Ainda não há prazo para a obra começar. “É um projeto pioneiro no Brasil”, disse o arquiteto Tiago Holzmann, coordenador do projeto de reconversão. Holzmann conversou com a Matinal poucos dias após submeter o projeto à União.
Com a reforma, o prédio terá 207 apartamentos, com 41 e 50 m2. O projeto também contempla a ideia de cumprir com a ideia original do edifício, inaugurado em 1952, com espaço para serviços públicos e habitação. O projeto é do arquiteto Emil Bered.
“Originalmente ele já previa apartamentos, a partir do décimo andar para moradia de funcionários do Ipase [Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores Públicos]”, contou Holzmann. “Do 4º ao 9º era imaginado um centro clínico, inclusive com uma área de cirurgia. Tinha hotelaria, um mini hospital. Do térreo ao terceiro, eram lojas e área administrativa”, explicou. Os locais voltados à saúde e à habitação, no entanto, não chegaram a ser plenamente instituídos e, em meio às trocas de gestão do prédio, o uso misto acabou não sendo adotado.
Para esta nova fase, a partir da inclusão no MCMV-E, a meta é retomar a ideia original, com espaços comunitários, como cozinha solidária, salas para cursos, biblioteca e brinquedoteca. Uma galeria homenageando Bered, que foi um dos nomes marcantes da arquitetura gaúcha, está planejada para o térreo.