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Pais temem perda de vaga para alunos com deficiência em escola de Porto Alegre

Defensoria Pública considera que perda de vagas viola direitos e acionou a secretaria, que marcou reunião com responsáveis pelos alunos

Pais temem perda de vaga para alunos com deficiência em escola de Porto Alegre
De acordo com professora, aprovação foi decidida pela direção da escola mesmo com apelos contrários | Foto: Reprodução / Redes Sociais

No final de 2025, 19 famílias receberam a notícia da aprovação de seus filhos na Escola Estadual Especial Renascença, em Porto Alegre, referência no atendimento a crianças e adolescentes com deficiência intelectual. O que poderia ser motivo de comemoração significou para este grupo a saída compulsória da escola. “A direção fez uma reunião com os alunos maiores de 18 anos e ali avisaram que eles estavam aprovados para o sexto ano. Como a escola foi seriada em 2024, eles não teriam mais como ficar na escola, porque vai até o quinto ano”, conta Fabiane Cabral, mãe de Emily Cooper, de 18 anos, que estuda na escola há seis anos. “As crianças que estavam nesse dia na reunião saíram chorando. A pergunta é sempre a mesma: ‘Eu vou poder voltar para a escola?’ E aí, o que que tu diz? O que é que tu vai dizer?”, desabafou.

A direção da escola baseou sua decisão na idade dos alunos e na aplicação da terminalidade específica, recurso previsto na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB) que permite a certificação de ensino fundamental para estudantes com deficiências que não atingem os objetivos desta etapa. Tentamos contato com a direção, mas não houve retorno.

À Matinal, a defensora Bibiana Veríssimo, dirigente do Núcleo de Defesa da Pessoa com Deficiência (Nudeped), demonstrou preocupação com o uso do recurso para a aprovação direta dos alunos. “A terminalidade específica deveria ser algo individual, uma certificação excepcional de aprovação. Desconsideraram que a educação da pessoa com deficiência é vitalícia, pelo que preconiza o estatuto internacional da pessoa com deficiência”, ressaltou. A Defensoria Pública solicitou providências à Seduc sobre o que considera ser um caso de violação de direitos da pessoa com deficiência.