Os impactos da enchente de 2024 no Vale do Taquari, região central do Rio Grande do Sul, refletiram de modo trágico o custo de uma organização urbana que não considera a natureza. Parte do território localizado nas margens do Taquari foi destruído pela força das águas. Nos morros, a falta de mapeamento de riscos deixou a população residente suscetível aos desmoronamentos.
Municípios como Muçum, onde 80% da população foi atingida, estão mudando sua geografia urbana para evitar novas tragédias climáticas. Mas se deparam com a inviabilidade de retirar todas as pessoas das áreas de riscos. “Precisaríamos desapropriar, pagar e dar um lote novo para todo mundo. Hoje, o Brasil não tem uma política pública que permita fazer isso”, explica o urbanista Marcelo Heck, coordenador do projeto que revisa os planos diretores de sete cidades do Vale do Taquari impactadas pelo evento climático extremo.
O projeto contempla os municípios de Arroio do Meio, Colinas, Cruzeiro do Sul, Encantado, Estrela, Muçum e Roca Sales e é financiado pelo governo do estado. “São municípios de pequeno porte, que teriam dificuldade de realizar essas ações de reconstrução por conta própria”, informa, por e-mail, Tassiele Francescon, diretora de Planejamento Urbano da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedur) do RS (leia a íntegra da resposta aqui).